Aprende-se Inglês na escola?

A questão é complexa porque ela abrange a escolha do estabelecimento do ensino, a formação docente, a participação do aluno e até a avaliação do aprendizado, que deve ser medido por parâmetros internacionais

Foto: Carlos Ricon

Propiciar formação em uma segunda língua, especialmente o inglês, é uma preocupação comum entre os pais. Porém, definir a melhor escola, o método e até mesmo a idade para se começar a investir não é tão simples. Embora no Brasil existam cerca de seis mil escolas de idiomas e 70 redes, estamos entre os países com menor nível de proficiência no idioma, o que indica que o ensino
é deficiente. Portanto, como nos explica Adriana Albertal, entrevistada dessa edição, é preciso alertar os responsáveis que optar por uma escolha bilíngue ou de idiomas nem sempre é garantia de aprendizado, pois tudo vai depender da metodologia, da rotina proposta, da seleção e capacitação dos professores e, principalmente, do envolvimento dos próprios alunos.

Guia Prático para o Professor do Ensino Fundamental I – No Brasil, há dois modelos clássicos para pais que querem oferecer o aprendizado do inglês aos filhos: os colégios bilíngues e as escolas de idiomas. Qual a diferença entre eles?
Adriana Albertal – Nas escolas de idiomas, teoricamente, as crianças e pré-adolescentes podem desenvolver seu aprendizado de inglês efetivo se os professores forem selecionados e capacitados com uma metodologia que comprovadamente funcione. Mesmo assim, o aluno tem de se envolver e se comprometer com o próprio processo de aprendizagem, cuja avaliação deve ser medida por parâmetros internacionais. Contudo, às vezes, isso não acontece, porque o mercado está cheio de distorções, como pessoas que saem de processos de desenvolvimento avançados, mas que de acordo com os parâmetros internacionais são básicos. Um verdadeiro desrespeito ao consumidor. Já em relação às escolas bilíngues, há dois tipos: as internacionais e as de imersão. As internacionais, além de trazer professores de fora, seguem o currículo do país de origem, porém o valor da mensalidade delas geralmente é mais alto. Por sua vez, as escolas de imersão oferecem uma carga horária semanal de 5 a 10 horas por semana. Os professores especialistas são fluentes, mas não necessariamente nativos. Consequentemente, o processo de aprendizagem se realiza, ou não, em função dos mesmos itens listados para as escolas de idiomas. Ou seja, o aluno aprende não por ter mais horas no idioma, mas pela qualidade do processo que inclui a formação e capacitação dos professores.

EF – Por que, até hoje, perpetua-se o mito de que as crianças não conseguem aprender inglês no colégio?
Albertal – Porque a seleção e preparação dos professores não são adequadas ao objetivo que se quer alcançar. Por isso, as escolas de idiomas sérias podem oferecer o que o colégio não consegue fazer, tanto que, apesar do empenho tanto dos colégios bilíngues quanto das escolas de idiomas, estamos entre os países com menor nível de proficiência no idioma. Por quê? Simples! As universidades ainda não conseguem formar professores de inglês proficientes no idioma nem com uma didática atualizada no ensino da segunda língua.

Foto: idstoyhire.com.au

EF – Quais são as possibilidades que as escolas convencionais têm para incrementar o ensino de uma segunda língua? Albertal – Contratar uma rede de idiomas que ofereça um ensino de qualidade, que siga um padrão internacional e tenha resultados comprovados por instituições internacionais é uma boa opção. Em relação aos professores, há algum padrão de qualificação exigido deles?
Albertal – O professor precisa ter uma proficiência razoável no idioma, de acordo com a convenção internacional de nivelamento do conhecimento, no mínimo B2, devendo se propor a ele o progresso em direção a C1 e C2, nível último, considerado ideal para um docente de inglês.

EF – De maneira prática, o que uma escola da periferia das grandes cidades ou do interior do Brasil podem fazer para possibilitar um melhor aprendizado do inglês entre seus alunos? Há estratégias para tanto?
Albertal – Hoje é possível selecionar, capacitar e sustentar o desenvolvimento dos professores a distância e fazer o acompanhamento do trabalho dele por meio de assessoria no planejamento das aulas, como também a gravação delas.

EF – De acordo com as novas descobertas da neurociência e da neuroaprendizagem, há alguma metodologia capaz de facilitar e comprovar o aprendizado do segundo idioma entre crianças do Ensino Fundamental?
Albertal – Para um efetivo desenvolvimento da aprendizagem é necessário que os alunos participem ativamente na aula e que os temas tratados sejam relevantes para a faixa etária deles. Assim dá para garantir tanto o interesse quanto o envolvimento deles. Contudo, aqui não me refiro aos conteúdos estruturais ou gramaticais do idioma, mas sim ao uso da segunda língua para tratar determinados assuntos ou trocar ideias. Além disso, também é necessário que se facilitem oportunidades de vivenciar o idioma em contextos que as crianças e pré-adolescentes sintam como reais e significativos para eles.

EF – No processo de aprendizagem as crianças devem ser alertadas para o fato do inglês, tido como linguagem global, possibilitar o acesso à produção cultural e acadêmica do planeta? De que forma?
Albertal – Formar consciência de pertencimento ao planeta e não apenas à família, bairro, cidade ou país, é algo que precisa começar cedo. A Unesco está enfatizando essa linha de atuação para a formação de pessoas no século 21, pois a esperança de um futuro melhor para todos depende disso. Logo, as crianças precisam ser formadas desde pequenas para serem cidadãos globais,
principalmente porque o planeta precisa muito dessa consciência por parte dos seus habitantes.

EF – Considerando ainda que cada criança aprende de uma forma, como o professor pode traçar objetivos pedagógicos a serem atingidos por elas em relação à segunda língua?
Albertal – A opção é trabalhar com estratégias didáticas diversificadas que ativam e dialogam com formas de aprender diferentes. Sugiro enfaticamente ler Howard Gardner para entender melhor como cada criança aprende e, assim, planejar um ensino mais personalizado.

Foto: Arquivo pessoal

Adriana Albertal
É diretora da Seven Educacional, área da Seven Idiomas que implanta programas bilíngues certificados por Cambridge English em colégios e universidades. Para obter mais informações sobre os serviços prestados, acesse: sevenidiomas.com.br/lpcolegios/

Revista Guia do Ensino Fundamental Ed.141