Bumba meu boi!

No mês do folclore em vez de falar de inúmeras lendas e personagens do imaginário popular, que tal se centrar em um só tema e explorá-la em forma de projeto ao longo de duas ou três semanas?

 

Foto: njfamily.com

Sugerimos o Bumba Meu Boi, pois manifestações culturais e religiosas em torno da figura do animal existiram e ainda existem em diversas culturas antigas ao redor do mundo e, como não poderia deixar de ser, o Nordeste, provavelmente Pernambuco, também acolheu o mito no período da dominação holandesa, graças aos vaqueiros que saiam da Bahia em direção ao norte da região. Na época, além de buscar povos pastos, eles carregavam consigo lendas que deram origem a festa permeada por diversas tradições africanas, indígenas e europeias que, aos poucos, também acabou por se associar à religiosidade das comemorações juninas. A partir do primeiro registro da celebração folclórica, que ocorreu em um jornal de Recife no ano 1840, outras cidades da região e de algumas partes do nosso país, também aderiram à festança, caracterizada por personagens humanos e animais fantásticos, que enfrentam a morte e vibram com a ressurreição do boi.

Contudo, ao ser transportado de um local para o outro, o Bumba Meu Boi também adquiriu outros nomes, ritmos, formas de apresentação, indumentárias, personagens, instrumentos, adereços e temas diversos. Por isso, no Pará, Rondônia e Amazônia a festa é chamada de Boi Bumbá; em Pernambuco, Boi Calemba ou Bumbá; no Ceará, Boi de Reis, Boi Surubim ou Boi Zumbi; na Bahia, Boi Janeiro, Boi Estrela-do-mar ou Mulinha de Ouro; em Minas Gerais e Rio de Janeiro, Bumbá ou Folguedo do Boi; no Espírito Santo, Boi de Reis; em São Paulo, Boi de Jacá ou Dança do Boi; no Paraná e Santa Catarina, Boi de Mourão ou Boi de Mamão; e no Rio Grande do Sul, Bumbá, Boizinho e Boi Mamão. Apesar de todas essas nomenclaturas, a tradição que é tida como a mais típica do Maranhão, ganhou o registro de patrimônio cultural do Brasil, concedido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan).

Diante de todas essas informações, que tal estimular a criançada a pesquisar os mais diversos aspectos da festa de acordo com a região em que vivem e, em paralelo, elaborar a peça que sugerimos? Depois, dependendo do interesse da turminha, proponha a encenação de alguns esquetes cômicos referentes ao Boi Bumbá, com base no que aprenderam, para o restante da escola. Assim, todos os alunos também irão perceber que folclore é sinônimo de cultura popular que, por sua vez, deve ser transmitida de geração a geração.

Revista Guia Fundamental Ed. 142