Ler implica assimilar tanto as palavras quanto às frases

Muito se fala em criar o hábito da leitura desde a mais tenra idade, mas poucos ensinam a criança a explorar e conhecer as obras que lhe são oferecidas

Foto: special-ism.com

Ler extrapola o juntar letrinhas para formar palavras ou reunir palavras para compor frases. Ler implica em compreender e também assimilar tanto as palavras quanto às frases que, por sua vez, ainda se interligam, exprimem em conjunto dentro de um contexto. Se a criança não é alertada sobre esse aspecto, ao pegar um livro, ela lê uma ou duas páginas sem atenção, não compreende ou se esquece de determinada frase, não se apossa da trama da história e, assim acaba por se desinteressar da leitura, momento em que começa a repetir uma frase muito conhecida no universo dos adultos: eu não gosto de ler…

Na verdade, ela não saber ler, porque ninguém ainda lhe explicou que durante a leitura cada letra, palavra ou frase, bem como os personagens e as situações vivenciadas por eles, têm suma importância para o enredo como um todo. Teoricamente é fácil repassar tudo isso para sua turminha. Porém, para avaliar se cada aluno entendeu ou não tal processo, ainda é preciso recorrer à prática. Entre outros recursos, uma boa opção para fazer essa verificação é o fichamento de um livro. Como o trabalho é individual, se por um lado, ele requer organização e concentração por parte do aluno para ser realizado, por outro, ele ainda é capaz de mostrar ao docente se houve ou não à sistematização e, de fato, a compreensão da leitura.

Mas antes de introduzir a atividade, o ideal é escolher uma obra junto às crianças, principalmente para inseri-las no processo. Depois, dependendo do número de exemplares do livro escolhido, se for impossível pedir a leitura e o fichamento como lição de casa, divida a criançada em grupo, sugira que façam a leitura compartilhada em sala de aula e, no término dela, o fichamento individual. No entanto, faça os alunos notarem que tal trabalho sempre irá requerer o manuseio do livro para obter as informações necessárias. Logo, todos terão que se organizar e, se preciso até interagir, para alcançar o objetivo final.

 

Roteiro de fichamento para crianças
Embora haja fichas específicas para esse fim, dependendo do contexto socioeconômico da região onde a escola está inserida, saiba que é possível fazer esse trabalho nas páginas finais do caderno usual, para que o aluno o tenha sempre em mãos. Além disso, apesar de ser mais fácil digitar os tópicos, imprimir e distribuir a ficha já pronta para a criançada preencher, o mais conveniente é
anotar todos os tópicos na lousa, para fazer com que elas também exercitem a escrita e, em paralelo, a criatividade peculiar da faixa etária que irá acrescentar toques de cores para destacar os itens mais importantes. De acordo com o roteiro básico, todo fichamento deve conter:

–  Titulo: nome do livro
–  Autor: nome de quem escreveu a obra.
–  Editora: nome da empresa que lançou o livro.
–  Edição: 1ª, 2ª, 3ª, 4ª e, assim, sucessivamente (comente com os alunos que há livros que após serem lançados pela primeira vez, foram relançados novamente, momento em que ganharam novas edições).
– Número de páginas: desconsiderando a parte interior da capa da obra, elas devem ser contadas a partir da primeira página numerada.
–  Personagem principal (ou principais): aquele (s) que conduz (conduzem) a história.
–  Personagens coadjuvantes: aqueles que giram em torno do personagem principal, com a função de alavancar o desenrolar da trama.
–  Resumo da história: recontada com as próprias palavras das crianças em no máximo 15 linhas.
–  Dependendo do nível de leitura de sua turminha, ainda dá para incluir outros tópicos no fichamento, como:

a.) Gênero textual: conto, lenda, fábula, romance,
poesia, prosa etc.
b)  Palavras desconhecidas: que devem ser anotadas junto aos seus significados que, por sua vez, terão que ser pesquisados em um dicionário.
c) Impressão pós-leitura: momento em que a criançada poderá descrever o que aprendeu ou as sensações provocadas pela leitura do livro.

Verificação do fichamento
Como a atividade segue um roteiro, a maioria dos trabalhos tende a ser muito semelhante. Mas a avaliação deles é essencial, pois pode evidenciar falhas relativas à identificação de alguns tópicos, desatenção com a leitura, dificuldades de escrita, falta de coesão e até de vocabulário para resumir a história. Detectados tais problemas é preciso traçar outras estratégias para corrigir as defasagens individuais, na tentativa de inserir novamente os alunos que apresentaram dificuldades na chamada leitura consciente. De acordo com essa intenção, considerando que o fichamento tem um papel importante ao longo do ano letivo, ele ainda teria que se tornar uma constante na vida escolar das crianças que, ao pegar um livro, já deveriam fazê-lo espontaneamente, inclusive para não ter de repetir as leituras obrigatórias que lhe são impostas no transcorrer do Ensino Fundamental.

Revista Guia do Ensino Fundamental Ed. 142