Mobilidade urbana em foco nas aulas do dia a dia

Dessa vez, o projeto que recebemos veio das mãos do escritor Silvio Costta!

Foto: Arquivo Pessoal

Será que as crianças entendem o vai e vem das cidades? Será que elas compreendem a irritação, o cansaço e o estresse dos pais que precisam se deslocar de carro ou transporte coletivo para levá-las à escola ou ir ao trabalho deles? Provavelmente não, porque ainda não foram despertadas para a mobilidade urbana que implica em trânsito, atrasos nos horários dos transportes públicos, lotação excessiva, desordem, falta de respeito tanto dos motoristas quanto dos pedestres em relação aos sinais de trânsito, depredação de ônibus, trens e metrôs, barulho excessivo de buzinas, freadas bruscas, poluição e até fechamento de vias por motivos diversos.

No universo delas esses problemas são normais, mas para os adultos, eles emperram a vida que já é corrida para a maioria. Porém, com muita sensibilidade e a ajuda de um simpático Jacaré, que optou por andar a pé, o escritor Silvio Costta apresenta a realidade dos grandes centros urbanos por meio de um texto lúdico, que mostra a história do personagem principal que, certo dia, cansado dos atrasos e dificuldades relativas aos transportes, decide percorrer a cidade, caminhando, até chegar ao local de seu trabalho.

Durante o trajeto, o Jacaré observa como as pessoas (representadas por diversos bichos no livro), logo de manhã, apresentam uma expressão deprimente, enquanto esperam o ônibus que já sempre vem bem cheio ou são obrigadas a fazer filas intermináveis para pegar o trem ou o metrô. Ao andar, ele também nota que vários carros, que provocam congestionamentos infindáveis, circulam de forma egoísta apenas com o motorista, além da falta de respeito aos ciclistas que vivem expostos aos acidentes, pois as placas de trânsito e os semáforos, em grande parte, são ignorados em nome da pressa. Somado a tudo isso, ainda surge à poluição atmosférica, visual e auditiva, que enlouquece até os mais passivos. Porém, mesmo caminhando, o Jacaré chega atrasado ao trabalho e não é poupado: seu chefe lhe dá uma bela bronca, devido aos minutos que perdeu para exercer as funções para as quais foi contratado…

A leitura da realidade
A história lúdica é um ótimo ponto de partida para apresentar o dia a dia do trânsito caótico e os problemas referentes à mobilidade as crianças, para que aprendam a reconhecer o entorno de onde vivem. Dessa forma, elas poderão adquirir um novo olhar em relação a sua rua, ao seu bairro, as novas formas de mobilidade urbana e também um maior entendimento sobre o assunto. Para alcançar esses objetivos, o ideal é fazer os alunos ler a obra de Silvio Costta e, em seguida, promover uma discussão, apoiada por pesquisas, sobre o tema. De acordo com um roteiro básico, que deve ser adaptado à faixa etária da turminha, várias questões podem ser levantadas em sala de aula: HComo é a situação dos transportes em seu bairro?

– Quais as vantagens e desvantagens de optar tanto pelo uso do carro particular quanto do transporte público?
– Quais são os tipos de transporte que servem o entorno da escola e do trabalho dos pais?
– Você sabe como funciona o trânsito?
– Você conhece as regras dele?
– Quais os principais cuidados que devemos ter em relação à circulação dos veículos?
– É possível conjugar trânsito com uma cidade mais limpa e sem poluição? Como?

Momento de definir mobilidade urbana
Após a leitura do livro e a obtenção das respostas da sua turminha, explique que mobilidade urbana pressupõe o direito à cidade e o acesso aos serviços que nela são oferecidos. Consequentemente, tal direito bem como os serviços, entre os quais os públicos – como saúde, educação, lazer e cultura –, também estão ligados à possibilidade que os diversos grupos sociais têm de se deslocar pelos centros urbanos e chegar aos locais almejados. Se os trabalhadores precisam acessar o lugar onde prestam serviço, as crianças necessitam estar na escola e, assim, consecutivamente. Portanto, a mobilidade urbana está intimamente associada tanto às condições fundamentais de utilização dos serviços quanto aos obstáculos existentes em relação a essa utilização.

Apresentada a definição, o próximo passo é propor outro debate, dessa vez, sobre os aspectos positivos e negativos referentes ao tema. Nesse ponto, Silvio Costta faz questão de frisar que é essencial mostrar as crianças à inexistência de alternativas seguras de deslocamento. As ciclovias, por exemplo, além de poucas, ainda não são aceitas pelos motoristas que insistem em desrespeitálas. Aliado a esse problema, ele ainda ressalta que a maioria dos serviços, geralmente, concentra-se nas áreas centrais das cidades, fato que prejudica a população das periferias que é obrigada a se deslocar por grandes distâncias e ainda perder muito tempo para ter seus direitos, inclusive de trabalhar, garantidos. Em meio a grande circulação de veículos, outra preocupação
que surge é a emissão de poluentes que, ao aumentar, também prejudica o meio ambiente.

Diante de toda essa problemática, estimule as crianças no sentido de repensar as possibilidades de melhoria na mobilidade urbana. Para incrementar ainda mais a atividade, leve-as ao laboratório de informática e apresente o jogo Feijotrânsito (para tanto, acesse o link portal. ludoeducativo.com.br/pt/play/feijotransito), que colocará cada uma delas no papel de um secretário de trânsito que deverá, por meio de ações repetidas, combinar diversos veículos, em sua capacidade máxima, no mesmo destino, a fim de garantir uma boa circulação, menos carros na via e um ar mais respirável. Dessa forma, elas ainda poderão entender que o investimento em transportes públicos é uma das soluções mais eficientes para melhorar o fluxo de veículos motorizados nas cidades brasileiras!

 

Preste atenção!
Além de professor tanto de Educação Sonora e Musical quanto de Filosofia, é jornalista, ator, músico, autor de livros infantojuvenis e palestrante que, ultimamente, vem trabalhando com uma proposta bem interessante que pretende discutir a mobilidade urbana com as crianças. Interessados na adoção do livro, debates e projetos, devem entrar em contato pelo site.

 

 

Revista Guia do Ensino Fundamental Ed. 142