Como lidar diante de situações de bullying na escola

A obesidade infantil também pode ter inúmeras consequências, inclusive na vida adulta. Saiba mais

 

Foto: babysitting.academy

O bullying é um tema que repercute não apenas no cenário escolar, pois ele tem desdobramentos em outras instâncias da vida das pessoas. Todavia, é importante consolidar seus conceitos e lutar para o combate de sua progressão no meio escolar. Como mestre e pesquisadora da Educação, acredito que é possível compreender que a escola precisa trabalhar e se desenvolver para que a tomada de consciência aconteça de modo geral, desde a equipe pedagógica, passando pelo administrativo até chegar aos discentes. Por isso, devemos estar atentos para detectar o processo e empreender ações em prol dos alunos vitimizados pelo bullying. Essa mobilização talvez seja uma alternativa para diminuir tal sofrimento. Cabe também ao núcleo escolar proporcionar aos alunos a participação em feiras culturais, exposições, diálogo com outros colegas e, assim, por diante, deixando-os mais à vontade no meio.

Já no caso da obesidade infantil sabemos que ela também pode ter inúmeras consequências, inclusive na vida adulta. Os problemas de saúde não são apenas físicos, mas psicológicos. As crianças com sobrepeso normalmente têm uma imagem corporal negativa, que leva a uma baixa autoestima. Sentem-se ansiosas em relação ao peso, discriminadas e estigmatizadas por colegas e adultos. Isso tudo tem consequência no comportamento delas e essa condição pode afetar negativamente o progresso acadêmico e social de cada uma.

Foto: babysitting.academy

Diante de situações de bullying
Da mesma maneira que o bullying, o tratamento do sobrepeso deve ser multidisciplinar e incluir vários profissionais. Porém, é de extrema importância à intervenção da família e da escola. Ambas devem ter planos que possam mediar um estilo de vida saudável. Por conseguinte, também cabe aos docentes orientar os responsáveis em relação ao caminho a ser trilhado em busca dos profissionais adequados para o acompanhamento da criança, como psicólogo, nutricionista, personal trainer para delimitar as atividades físicas e endocrinologista. No entanto, ainda é relevante pontuar que os hábitos alimentares devem partir do meio familiar para a criança ter uma referência, um espelho, além de práticas de alimentação saudável.

Caso não haja essa ação conjunta, crianças com sobrepeso são transformadas em alvo de bullying. Diante dessa situação, normalmente, elas chegam aos consultórios bastante sofridas e, mesmo assim, a maioria não consegue atendimento adequado e, em alguns casos, nem o reconhecimento da situação. Portanto, diante do exposto, a principal forma de lutar para evitar os dois problemas é investir em prevenção no ambiente escolar. Durante as aulas, por exemplo, ambos os assuntos podem ser abordados com as crianças, a partir de temas que consideram a alimentação saudável, os esportes, os costumes familiares etc. Entre outras atividades práticas, dá para envolver os alunos em aulas de culinária e os responsáveis em palestras, com o objetivo de estimular a discussão aberta com todos os atores da cena escolar.

Orientação aos pais
Ela é essencial para que os responsáveis possam ajudar e estar sempre alertas em relação ao problema do bullying somado ao do sobrepeso. Não importa se o filho é vítima ou agressor, pois independente do lugar que ocupa, ele precisa de ajuda e apoio psicológico. Em muitos casos, ainda é esquecida a prática de cuidar do agressor, que também pede socorro e, em algumas situações, pratica o bullying ao ser influenciado por grupos de amigos, por padrões estabelecidos na própria sociedade ou pelo meio em que está inserido, pois dependendo das circunstâncias e temas emblemáticos, como padrão de beleza, time de futebol, religião, regionalismo, política, condição sexual, a criança já tem um modelo enraizado e quando outros vão contra a ele, acaba acontecendo a agressão física ou verbal.

Diante desse contexto, muitas crianças com sobrepeso que são vitimizadas preferem não frequentar as aulas por medo de serem humilhadas. Outras já iniciam dietas milagrosas para adquirir um corpo magro e se adequar ao modelo de sociedade, para não mais sofrerem o bullying. Consequentemente, o culto ao corpo perfeito também contamina as crianças que escolhem ser magras. Mas, por outro lado, estar em sobrepeso ou com excesso de magreza não significa ser saudável. Ambos são problemas e condições não apenas físicas, mas de saúde do organismo que, devem ser acompanhados.  Porém, com o padrão de beleza estabelecido atualmente, no qual a mídia e a sociedade transmitem que as pessoas precisam ser belas, magras e malhadas, o índice de anorexia e bulimia tem aumentado muito. Um exemplo prático disso são as lojas que expõem, em sua maioria, numerações de roupas até o tamanho 46 no máximo, pois elas seguem um padrão imposto. No entanto, estar com sobrepeso ou ser magro demais não é motivo para ser humilhado, mas uma razão que requer, acima de tudo, um tratamento multidisciplinar!

 

Ana Regina Caminha Braga
É escritora, psicopedagoga, especialista em educação especial e em gestão escolar. Para contatá-la ou eliminar qualquer dúvida sobre o tema abordado, envie um e-mail para anareginabraga@hotmail.com

Revista Guia do Ensino Fundamental Ed. 142