Maleta viajante

Muitos alunos do Ensino Fundamental, por puro desconhecimento, acham que o escritor já morreu, ou que o ilustrador sempre é o autor da obra, quando nem sempre isso é verdade

Fotos: arquivo pessoal | Adaptação web Caroline Svitras

 

No início 2014, o corpo docente e a direção do Colégio Rodrigues Dias sentiram a necessidade de criar um projeto para ampliar e aguçar o gosto pela leitura entre seus alunos. Além disso, eles também queriam que as crianças tivessem conhecimento sobre os autores e aprendessem a identificar suas obras. Para tanto, eles idealizaram o projeto Maleta Viajante que foi desenvolvido desde o maternal até o quinto ano do Ensino Fundamental, inclusive com a participação dos familiares dos alunos.

 

Desde o início, o projeto abordou um escritor por semestre e todo o trabalho sempre começou com uma roda de conversa sobre a história de vida do autor escolhido, momento em que os alunos foram orientados a fazer perguntas sobre ele. Em seguida, cada professor selecionou um livro e, a cada semana, lia um trecho dele, só para aguçar a ansiedade nos alunos que, assim, teriam que esperar por mais sete dias até saber a continuação da história. Dessa forma, as crianças também conseguiam memorizar as partes já ouvidas e ainda criavam uma sequência lógica dos fatos, aspectos que contribuem tanto na composição do repertório quanto para a segurança delas no momento de reescrever a história.

 

A professora Priscylla Palazolo Caputo, por exemplo, escolheu alguns escritores renomados da academia brasileira de literatura infantil, como Ruth Rocha, Ziraldo, Eva Furnari, Ilan Brenman, entre outros, para desenvolver o trabalho com suas turmas. “É extremamente importante o contato das crianças com esses autores, principalmente, em virtude da variedade de gêneros que apresentam e que os ajudam na hora de iniciar a escrita”, explica Caputo.

 

De acordo com esse processo, outro ponto importante do projeto deu-se na casa do próprio aluno, graças a Maleta Viajante. Nela, o professor colocava um livro, além de dois cadernos (um normal e outro de desenho). Com a família devidamente orientada dava-se a leitura da história. Depois dela, enquanto os alunos desenhavam e escreviam a parte da obra que mais haviam gostado, os pais ou os responsáveis anotavam sua opinião sobre o livro.

 

 

Com esse procedimento, o colégio pretendia e conseguiu motivar ainda mais as famílias e também as crianças a buscar novos livros e gêneros textuais, tanto que os pais do aluno Paulo Gustavo, da primeira série A, fizeram o seguinte registro: “Fantástico esse projeto, realmente amamos, além do incentivo a leitura, ele provoca a interação familiar, por isso aguardamos ansiosamente o retorno da Maleta viajante”.

 

Além deles, a mãe da aluna Beatris Fernandes, da quarta série A, também reconheceu a importância de conhecer melhor os autores. “Achamos muito legal o incentivo da escola à leitura. O livro de Ruth Rocha, autora que considero muito importante para a leitura infantil.”

 

 

Fortalecimento do vínculo familiar a partir da leitura

De início, se o objetivo principal era só a leitura, graças aos depoimentos dos responsáveis, os docentes do colégio perceberam que também haviam criado em cada família um vínculo ainda maior, que teve os livros como ponte. Se até então os pais não conseguiam encontrar um tempo disponível para os filhos, para participar do projeto, eles obtiveram e sentiram que tudo era só uma questão de organização. Para a mãe Lidiane Valadão, cujo filho está na primeira série A, o projeto adquiriu tanta importância, que ela chegou a faltar na faculdade para ler junto a ele. “Eu não me arrependi, pois foi muito divertido e gratificante ver e ouvir meu filho lendo comigo e para mim”, afirmou Valadão.

 

 

A opinião das crianças sobre o projeto

Mas não foram só os pais que gostaram da iniciativa. As crianças também vibraram com a nova possibilidade. “Eu gostei de levar a Maleta Viajante com o livro Beijos Mágicos, de Ana Maria Machado, para casa. Assim que cheguei, minha mãe e eu lemos juntos. Depois, escolhi desenhar a menina e a mãe com o bebê no colo, porque me lembrei do nascimento da minha irmã e tudo que aconteceu na história também aconteceu comigo”, disse Yago Reis, da terceira série A.

 

Por sua vez, Felipe Satoshi, aluno da quarta série B, que  havia levado um livro da Ruth Rocha, ficou muito feliz porque a professora leu o que ele havia escrito e ainda mostrou o seu desenho para a turma. “Acho importante ter esse projeto na escola para melhorar a leitura e entender melhor o sentido do livro”, opinou Satoshi.

 

Circuito interativo

No final do ano letivo, para encerrar o projeto com chave de ouro, o colégio ainda promoveu um circuito interativo sobre os autores trabalhados. Assim, todos os alunos que participaram do trabalho, passaram pelas salas e ouviram de cada professora um pouco da vida e das obras dos escritores estudados. “Para cada autor do projeto, providenciamos trechos de vídeos, músicas e pinturas que enriqueceram ainda mais a conclusão do trabalho. Em todas as salas de aula, os professores também expuseram os desenhos sobre o escritor, junto a alguns trechos de suas obras, lidas pelas crianças. Já para o encerramento, decidimos fazer uma noite de histórias, momento em que alguns pais que se inscreveram, puderam fazer narrativas não só para as crianças, mas para a comunidade presente. Por isso, acredito que, certamente, criamos um clima inesquecível para todos”, finaliza Caputo.

 

Grau de dificuldade: fácil / Tempo de duração: máximo de 20 minutos | Criação: Rosa Maria Rodrigues

 

Revista Guia Fundamental Ed. 125