Como fazer as crianças associarem cores a objetos

Além de materiais específicos, como o ábaco, o material dourado e as barras de Cuisenaire, com criatividade, dá para criar outros recursos para estimular a criançada a adentrar e a compreender o mundo dos números

Fotos: Itaci Batista | Adaptação web Caroline Svitras

Nas séries iniciais, a Matemática já deveria estimular os alunos a explorar o mundo à sua volta, o que é bastante difícil tanto para os professores quanto para as crianças, porque as noções da disciplina nem sempre aparecem com clareza nas situações do cotidiano.

 

Mas dá para estimular o aprendizado, introduzindo materiais concretos para que elas possam expressar as relações matemáticas pré-adquiridas, manipulando, montando, contando, agrupando, estabelecendo relações etc. Contudo se, por vezes, ainda há a impossibilidade de adquirir materiais específicos, com criatividade, é possível substituí-los por elementos bem mais simples, baratos e de fácil manuseio, como tampinhas de PET, fichas, feijões, lápis de cor etc.

 

Talvez, aqui, já haja quem esteja se perguntando: por que se dar a esse trabalho? A explicação vem das pesquisas do epistemólogo suíço Jean Piaget (1896-1980): a aprendizagem da Matemática envolve o conhecimento físico e o lógico-matemático. O primeiro ocorre quando o aluno observa, analisa, identifica e opera o material. Já o segundo se dá quando ele usa apenas os atributos dos materiais ou opera sem tê-los em mãos, momento em que também desenvolve o próprio raciocínio abstrato.

 

 

Atividades sugeridas

No Colégio Mary Ward, Valéria Cristina Preda, professora da primeira série do Ensino Fundamental do período matutino, utiliza tampinhas de garrafas PET para promover entre seus pequenos alunos o contato com a Matemática. Conforme ela nos explicou, após recolher tampinhas de várias cores e separá-las em grupo de 100 peças, todas foram guardadas em saquinhos plásticos para que, durante as atividades propostas, cada aluno possa utilizar um deles. Nesse processo, de posse do material, brincando, eles aprendem a:

 

  • Contar até 100;
  • Agrupar as peças em grupos de 5,10, 20 tampinhas (por exemplo);
  • Fazer contagens por agrupamentos (20 tampinhas + 20 tampinhas + 20 tampinhas + 20 tampinhas + 20 tampinhas = 100 peças, por exemplo);
  • Estabelecer relações (20 tampinhas verdes equivalem a 20 tampinhas laranjas; ou 20 tampinhas verdes equivalem a 10 tampinhas laranjas + 5 tampinhas brancas + 5 tampinhas amarelas, por exemplo);
  • Realizar correspondências biunívocas entre dois conjuntos de tampinhas (no qual cada elemento do primeiro conjunto corresponde a um elemento do segundo e vice-versa);
  • Executar, quase que instintivamente, a classificação operatória (processo de agrupamento feito a partir das características dos objetos, por meio do qual a criança estrutura o real e forma conceitos), principalmente pela cor ou outras diferenciações existentes entre as tampinhas; e,
  • Seriar crescente e decrescentemente (atividade na qual a criança começa a organizar mentalmente a realidade que a cerca, de acordo com as características das tampinhas: diferença, peso, cor, espessura etc.

 

 

A importância da classificação

Para classificar, a criança tem que abstrair as propriedades que definem os objetos e estabelecer relações de semelhanças e diferenças entre elas. Por conseguinte, a classificação desempenha um papel de instrumento intelectual, por meio do qual ela organiza mentalmente o mundo que a cerca.

 

 

Ampliação do processo

Formado os primeiros conceitos sobre os números, a criançada se torna mais apta a compreender tanto a adição quanto a subtração básica. A partir daí, o professor ainda pode se valer dos materiais concretos só que, dessa vez, aliado à contação de histórias, para promover atividades nas quais os personagens enfrentam problemas com números. Dessa forma, como sempre ocorre certa identificação entre os personagens e os pequenos alunos, também é criada uma condição propícia para que eles vivenciem determinadas dificuldades e partam em busca das respostas adequadas. Nesse processo, dá para envolvê-los:

 

  • Na comparação de quantidades discretas;
  • No controle de quantidade a partir de um numeral pré-determinado;
  • Em jogos de trocas, a partir de regras de equivalência;
  • No registro espontâneo da contagem por agrupamento com desenhos ou signos;
  • Na troca de registro gráfico para comunicação de quantidades e tentativas de decodificação.
  • Na utilização do sistema indo-arábico para o registro de pontos em jogos e cálculo do total deles após várias rodadas.

 

Entre essas e outras opções, cabe ao professor apenas estabelecer um clima motivador, para promover o real envolvimento dos alunos na constante busca de soluções para problemas que tenham significado para eles. Nesse processo de aprendizagem, atividades que exijam apenas a automatização ou a memorização sem compreensão não têm lugar. Por último, lembre-se apenas de pedir a ajuda das crianças para ensacar as tampinhas e, assim, manter todo o material organizado para as próximas atividades que exigirão a utilização dele.

 

 

Adaptado do texto “A importância dos materiais concretos”

Revista Guia Prático para Professores – Ensino Fundamental Ed. 110