Recebendo os novos alunos

Normalmente, as crianças ficam apreensivas quando se veem em uma sala de aula repleta de desconhecidos, incluindo o próprio professor

Foto: Reprodução/thegoodthedadandthebaby.com | Adaptação web Caroline Svitras

 

O primeiro dia de aula é desafiante tanto paras crianças que ingressam no Ensino Fundamental I quanto para o professor que tem que integrar todas elas, para não causar nenhum tipo de desconforto em sua nova turminha. Diante dessa situação, a melhor opção é recorrer às dinâmicas de grupo para fazer as devidas apresentações e ainda explicar o objetivo de estarem reunidas em sala de aula.

 

De início, o ideal é propor uma atividade relacionada aos nomes e também incluir-se nela, após uma breve apresentação pessoal, que deve guiar-se pelo bom senso e, ao mesmo tempo, ter um tom lúdico, mas sem nunca descaracterizar seu papel de educador frente aos novatos que, assim, irão perceber, desde o primeiro dia de aula, que você é a autoridade máxima dentro da sala de aula, o que também não significa ser rigoroso o tempo todo.

 

 

Dinâmica dos nomes

 

Foto: Fernando Pereira

Existem inúmeras atividades para quebrar o chamado gelo e entrosar as crianças. Mas para lhe ajudar, selecionamos uma bem simples que, por se parecer com uma brincadeira, além de criar um clima de descontração, ainda vai divertir a criançada. Para desenvolvê-la, basta colocar os alunos sentados em um círculo e, então, assumir a liderança da dinâmica para exemplificar o que deve ser feito.

 

Depois, basta escolher e, então, pedir para o novato mais comunicativo ou espontâneo se dirigir ao centro do círculo, momento em que terá que dizer seu primeiro nome e, em seguida, fazer um gesto ou mímica qualquer.

 

Na sequência, mediante ao estímulo adequado, os demais deverão repetir tanto o nome desse aluno quanto o gesto ou a mímica realizada por ele. Apesar da timidez inicial, a turminha vai começar a se soltar, enquanto memoriza, mesmo que parcialmente, os nomes dos coleguinhas. Contudo, caso a sala de aula tenha muitas crianças, o interessante é restringi-las em grupos de oito a dez novatos para, então, recomeçar a atividade que, não deve ultrapassar mais que 20 minutos em sua totalidade.

 

Depois da dinâmica, o ideal é distribuir os crachás de identificação, porque, dessa forma, além de surpreender as crianças, você também já estará ajudando na memorização dos nomes e despertando a curiosidade infantil em relação às diferenças existentes na escrita, devido à comparação natural que irá se estabelecer entre elas.

 

 

Dinâmica do maior e do menor

Após a dinâmica inicial, ainda com as crianças em círculo, chame o menor ou maior aluno pelo nome e peça para que ele se dirija ao centro da roda. Feito isso, instigue os demais a obedecer ao comando de maior ou menor para, então, juntar-se a ele, mas sem sair do circulo. Assim, eles terão contato corporal e, provavelmente, acabarão por se abraçar para não ultrapassar o limite imposto, momento em que, entre risos, já darão indícios de interação e aceitação do outro.

 

Foto: Reprodução/jamienoelle.blogspot.com

 

Prosseguindo, dependendo do entusiasmo da criançada, mude de comando (somente meninas ou meninos, somente aqueles que têm cabelos enrolados, somente aqueles que têm olhos castanhos etc.), para incluir todos os novatos na atividade. Por fim, promova um abraço coletivo, estendendo os braços para todos eles. Mas, lembre-se que, essa atividade, também não deve ultrapassar mais que 20 minutos.

 

 

Dinâmica dos gostos pessoais

Dessa vez, será preciso utilizar o quadro negro. Com as crianças ainda em círculo, vá até a lousa e anote um a um os nomes dos novatos, já explicando que eles irão aprender a escrever daquela forma durante o transcorrer das aulas. Depois, enquanto anota o nome do primeiro aluno, pergunte o que ele gosta de fazer (brincar, nadar, pular, jogar vídeo game etc.) e escreva a seguir. Proceda dessa forma até obter uma listagem dos gostos pessoais de toda a sua turminha.

 

Ao mesmo tempo, aproveite para observar o comportamento da criançada – das tímidas às bagunceiras –, já na intenção de saber como irá lidar com elas. Com a listagem pronta, mostre quem se assemelha com quem no quadro negro e, então, peça para que mudem de lugar no círculo, visando se posicionar de acordo com os gostos pessoais. Note que, devido a solicitação, os novatos terão a chance de formar grupos de afinidades e ainda poderão descobrir a possibilidade de subdividir-se entre eles. Contudo, em meio à movimentação das crianças, aproveite e comece a explicar que, em sala de aula, há normas de disciplina, cuja função é impedir ações incompatíveis com a rotina escolar, como empurrar o coleguinha, falar alto demais ou ao mesmo tempo em que o outro.

 

Foto: Reprodução/unisa.edu.au

 

No entanto, deixe que, de início, façam a bagunça necessária até se organizarem novamente para, então, abordar o tema e chamar a atenção dos novatos sobre alguns atos inconvenientes que tiveram, mas sem mencionar o nome de ninguém, a fim de evitar o constrangimento e a exposição desnecessária.

 

Em seguida, proponha a elaboração dos itens do quadro de combinados, explicando que, com ele, a sala de aula terá regras que, ao serem respeitadas, imprimiram um clima de harmonia.

 

Dê alguns exemplos de normas condizentes e, então, peça mais sugestões às crianças. Acate algumas delas, tanto para promover a participação quanto o protagonismo dos novatos. Se necessário, adapte-as. Porém, lembre-se de não gastar mais de 30 minutos nessa atividade, porque, dessa forma, além de não cansar as crianças, dá para evitar a impressão de que a rotina escolar é enfadonha.

 

 

Dinâmica do meu amigo de classe

Após os novatos já terem a noção de que, em sala de aula, terão que conviver com várias diferenças e regras de comportamento, faça com que saíam do círculo e sentem-se no lugar desejado. Após acomodarem-se, sugira que desenhem o amigo com quem se identificaram logo no primeiro dia de aula. Enquanto distribui folhas de papel e lápis colorido, comente que toda a produção será exposta em sala de aula, para estimular a criação infantil.

 

Explique também que, ninguém deve se preocupar em fazer um retrato fiel do escolhido, pois o que se quer é apenas uma referência dele. Já com a produção em mãos, nomeie os desenhos com a ajuda das próprias crianças e, ainda com o auxílio delas, exponha-os em um cantinho especial da sala de aula.

 

Foto: Fernando Pereira

 

Embora seja bastante simples, com essa atividade dá para verificar quais as crianças que exercerão certa liderança em sala de aula, pelo total de desenhos referentes a elas; aquelas que, por serem mais fechadas, não atraíram a atenção dos coleguinhas; e até as que têm certa habilidade artística.

 

Mas para não suprimir ninguém da primeira exposição artística da sala de aula, após verificar os novatos que não foram eleitos por nenhum aluno, proponha que os demais os desenhem, explicando que, a partir do primeiro dia de aula, todos formarão um conjunto que, apesar dos destaques individuais, deve ser valorizado como um todo.

 

 

Exposição da rotina escolar

Após as dinâmicas e certa integração dos novatos, é chegado o momento de falar sobre o objetivo de estarem reunidos em sala de aula. Explique que, a partir de então, as brincadeiras serão muitas, mas terão hora certa para acontecer, porque é necessário aprender a ler e escrever e é nisso que todos deverão se concentrar.

 

Se quiser, mostre alguns livros e outros materiais que possam despertar a atenção infantil e, em paralelo, frise que para aprender é fundamental querer. Evidencie que, apesar das dificuldades que surgirão, você estará atento para ajudá-los a superá-las, sempre que necessário.

 

Aproveite e também comente sobre a harmonia que deve existir e que facilitará o aprendizado. Esclareça as dúvidas que possivelmente a turminha possa ter e, então, reafirme a importância da escola na vida de cada um.

 

 

A inclusão nesse processo

Caso tenha algum aluno para a inclusão, converse com a direção da escola para tentar fazer com que ele venha somente no segundo dia de aula. Dessa forma, dá para preparar a turminha para recebê-lo adequadamente. Se conseguir, aborde o problema dele de maneira simples, para que as crianças possam entender, principalmente, suas restrições e, então, proponha a recepção correta dele, a fim de incluí-lo em sala de aula. Aborde também o que é preconceito e a necessidade de aceitar as diferenças, salientando que, na escola, ninguém é igual a ninguém.

 

Foto: Reprodução/investigatingchoicetime.com

 

Adaptado do texto “Vamos receber os novos alunos?”

Revista Guia Prático do Professor – Ensino Fundamental Ed. 125