Crianças criativas estarão melhor preparadas para o futuro

Ela tem como base a criatividade que, por sua vez, tem um poder revolucionário, capaz de provocar uma grande transformação tanto cultural quanto de métodos

Foto: Itaci Batista | Adaptação web Caroline Svitras

 

 

Quando falamos em criatividade, logo vem à mente a habilidade que a criança tem de criar sob  orientação docente. Mas o termo em si é muito mais amplo e, dessa forma, ele também adquire a dimensão de uma mola propulsora da revolução escolar que, ao potencializar tanto as referências quanto a criação, também se mostra capaz de mudar completamente a “práxis costumeira”. Nesse contexto, como explica nosso entrevistado, a criatividade ainda ganha uma valência mais ampla, apta a deixar as aulas mais atraentes e condizentes com a realidade do século que vivenciamos.

 

Guia Prático para o Professor do Ensino Fundamental I – A revolução positiva em sala de aula pode ser feita a partir da criatividade?

Max G. Haetinger – Sim, claro que pode! Mas, primeiro, devemos entender porque a criatividade tem esse poder revolucionário, pois, quando  falamos em revolução, estamos nos referindo a uma revolução extrema, a uma transformação cultural. Por isso, quando cremos que a criatividade é a mola propulsora da revolução escolar, também afirmamos que ela é algo transversal, que pode mudar completamente a nossa práxis costumeira, ou seja, a forma como ministramos nossas aulas e relacionamos os conteúdos disciplinares com a vida dos nossos educandos. Nesse contexto, a criatividade ganha uma valência ampla, capaz de deixar as nossas aulas mais atraentes e condizentes com o grande diferencial do século que, por sua vez, pode ser resumido em potencialidade tanto para criar referências quanto para ter novas ideias.

 

EF – Qual a relação da criatividade com a potencialidade?

Max Haetinger – São muitas. No mundo em que as máquinas são tão competitivas e capazes, a ponto de tirar tantas vagas das pessoas, e no qual quase tudo já foi inventado, está no pensamento criador, lateral e divergente a revolução que nós humanos podemos fazer. E a escola que, efetivamente, forma o futuro também tem queformar indivíduos criativos. Consequentemente, a criatividade está para a Educação como a memória estava há 50 anos. Logo, ela também é uma ferramenta indispensável para que qualquer pessoa tenha colocação no mundo do trabalho, no mundo do futuro, na nova era.

 

EF – Para situar o professor e até ampliar o conceito que ele tem, qual é a melhor forma de  definir criatividade no contexto escolar?

Haetinger – Para ajudarmos o educador a entender o que é criatividade, temos que salientar que o respectivo conceito permeia muitas áreas, que vão da psicologia à Educação, passando pelos recursos humanos, pela economia, entre outras. Em cada uma delas, é comum que a gente enxergue ou ouça uma opinião diferente. Mas, basicamente, a criatividade nada mais é do que a capacidade que o ser humano tem de gerar novas ideias. Embora tal requisito não esteja vinculado ao meio sociocultural em que a pessoa se desenvolve, ele está intimamente ligado às vivências que ela tem. No caso da economia, podemos dizer que a criatividade está relacionada à solução de problemas, à capacidade de gerar produtos, de criar coisas novas. Já na área da psicologia, ela se refere à competência que temos de gerar emoções, por meio das quais produzimos ideias e criamos algo novo. Tais referenciais, independentemente das áreas, podem ser resumidos em apenas duas palavras: criação e novo. Portanto, na escola, a criatividade também é a capacidade que os alunos têm de gerar novas ideias.

 

EF – De que forma é possível explorar o universo criativo das crianças, para ampliar tanto o potencial do pensamento infantil quanto a capacidade criadora de cada uma delas?

Haetinger – De início, o professor deve entender que a criatividade não nasce do ato criativo, da mesma forma que também não é possível ampliá-la por meio da própria criatividade. Ela somente se desenvolve a partir de competências que se formam e capacitam a mente a ter um pensamento lateral, divergente e conceituado como base do ato criador.

 

EF – Quais são as atividades mais indicadas para desenvolver a criatividade na escola?

Haetinger – Se eu quero ampliar a criatividade nos meus alunos, eu tenho que ter uma mescla de atividades simples que valorizem a imaginação, a tomada de decisão e a autonomia, pois são a partir das valências e competências desenvolvidas que eu formo a mente criadora e ainda estimulo a capacidade de gerar novas ideias entre as crianças.

 

EF – Quais as considerações finais que o senhor ainda tem a fazer sobre o tema?

Haetinger – Eu gostaria de frisar que uma escola que desenvolve a criatividade de forma efetiva é sempre uma escola que valoriza a curiosidade do ser humano que, assim, pode ampliar sua potencialidade tanto de criar quanto de ter novas ideias.

 

Sobre Max Haetinger

Além de mestre em Educação e Educação a Distância, ele é especialista em Criatividade, Psicopedagogia e Informática na Educação. Como professor convidado, colaborou com pesquisa e ensino em diferentes escolas e universidades brasileiras, na Universidade do Texas (EUA) e na Universidade do Porto (Portugal). Atualmente, ao mesmo tempo em que desenvolve metodologias voltadas à inovação em Educação, à criatividade, à formação de vínculos e ao uso de novas tecnologias no processo ensino- -aprendizagem, ele também trabalha na formação de educadores, ministrando cursos e palestras em todo Brasil. Para obter mais informações sobre nosso entrevistado, acesse: www.maxcriar.com.br.

Adaptado do texto “Revolução positiva”

Revista Guia Prático do Professor – Ensino Fundamental Ed. 117