As múmias do Antigo Egito

Quando a professora Luciana Leme Borin resolveu desenvolver o projeto Africanidades na E.M.E.F. José Martiniano de Alencar, talvez não imaginasse o quanto a criançada iria se aprofundar no tema!

Foto:Wikimedia Commons | Adaptação web Caroline Svitras

 

Após as turmas elegerem o Egito, o trabalho de desvendar a antiga história do país se tornou tão surpreendente, que extrapolou todas as expectativas. Depois de algumas pesquisas, entre outras coisas, a criançada descobriu que após a morte, os egípcios acreditavam que a vida continuava e, por isso, levavam para tumba uma série de pertences terrestres (joias, perfumes, comidas, instrumentos musicais, vestimentas etc.), por acreditar que iriam precisar deles na terra dos deuses. Mas, para desfrutar o outro mundo, o corpo também deveria estar belo e saudável. No entanto, como após a morte a tendência natural do organismo é a de putrefar, os egípcios passaram a recorrer e aperfeiçoaram o processo de mumificação, que já existia. No começo, somente as classes mais abastadas eram beneficiadas pelo recurso, mas, após a V Dinastia (período equivalente ao Império Antigo do Egito, que se estendeu até pouco antes de 2.300 a.C.), a mumificação se tornou acessível a toda população, mesmo que de forma mais simples.

 

 

O processo de preservação egípcio

Os pobres recebiam uma injeção de essências e vinhos corrosivos pelo ânus, que dissolvia os órgãos internos. Após alguns dias, o corpo era enfaixado com peles de animais para ser enterrado no deserto, onde ocorria a conservação por dessecação (eliminação total da água).  Já os ricos passavam pela mumificação artificial. Nesse processo, o coração permanecia no cadáver, enquanto o cérebro era retirado logo após a morte, por meio de uma pinça metálica, pelo nariz. Em seguida, as vísceras também eram extraídas e depositadas em jarros canópicos. Já esvaziado, o corpo era internamente lavado com vinho e substâncias aromáticas para, depois, ser preenchido com mirra e canela. Em seguida, era mergulhado em natrão (mistura de sais retirado do leito do Rio Nilo, entre os quais carbonato de cálcio, bicarbonato de sódio, sulfato de sódio e cloreto de sódio) por 70 dias. Após esse prazo, era lavado novamente, antes de receber resinas, aromas, perfumes, bandagem e pó de serra. Depois, era enfaixado com tiras de linho embebidas em goma, entre as quais, eram colocados amuletos de proteção. Finalmente, o corpo era depositado em seu sarcófago, para ser cortejado até seu destino final.

 

 

Múmias naturais

Esse processo, que resulta de condições específicas, produziu as múmias mais antigas da humanidade. Entre elas, a mais conhecida é a de Ötzi the Iceman. Congelado em uma glaciação nos Alpes Ötztal, na Itália, em torno de 3300 a.C., foi encontrado em 1991. Outra, menos preservada, foi descoberta em Nevada, EUA, em 1940. A datação com carbono-14 indica que ela tem em torno de 7400 a.C. Já em alguns países da Europa, como Reino Unido, Alemanha, Suécia e Dinamarca, há diversas regiões pantanosas, chamadas de bogs.

 

Nesses terrenos, a acidez da água, as baixas temperaturas e a falta de oxigênio combinados curtem os tecidos moles de corpos sacrificados em rituais, ou assassinados, que são jogados nos bogs. Como resultado natural ocorrem múmias extremamente bem conservadas, nas quais os esqueletos se decompõem, mas, em alguns casos, é possível determinar até a última refeição pelo conteúdo estomacal.

 

Na Groelândia, em 1972, também foram descobertas oito múmias em excelente estado de conservação. O grupo que pertencia a uma comunidade Inuit, chamada Qilakitsoq, era formado por um bebê de 6 meses, um garoto de 4 anos e seis mulheres de várias idades, que provavelmente morreu há aproximadamente 500 anos, mas tiveram os corpos mumificados pela temperatura abaixo de zero e os ventos secos que cercam a caverna onde foram encontrados. Da mesma data, destacam-se as múmias preservadas no clima frio e seco da América do Sul. Pertencentes ao período Inca, são três crianças sacrificadas em ritos,  que foram colocadas nos picos das montanhas da Cordilheira dos Andes. Hoje, elas se encontram no Museu da cidade de Salta, na Argentina.

A mumificação solar do Egito faraonítico

O processo de mumificação que conhecemos é chamado de Osiriano, mas também houve épocas em que a mumificação era realizada pelo processo solar. Nele, quando o faraó morria, seu cadáver era cozido até as carnes se desprenderem dos ossos que, por sua vez, eram pintados de vermelho, enfaixados e estocados com gesso, até obter o formato de uma múmia, que ainda recebia a pintura do rosto do “falecido”. Dessa forma, os ossos processados se transformavam em uma estatua Ká que, além de ser responsável por abrigar a alma do morto, era deixada ao Sol, pois se acreditava que o astro era o deus principal, que lhe traria luz.

 

 

Adaptado do texto “Vamos conhecer o processo de mumificação?”

Revista Guia Prático do Professor – Ensino Fundamental Ed. 65