Qual a sua postura como docente?

Até pouco tempo, bastava ser um professor tradicional, mas, hoje, como o ensino prima pela qualidade e a tendência mais forte é o socioconstrutivismo, é preciso mudar para se tornar um educador

Foto: Shutterstock | Adaptação web Caroline Svitras

 

O ensino no Brasil continua ligado à ascensão social. Por isso, desde cedo, as crianças são sugestionadas a ir à escola. Mas, entre elas, algumas concordam com Rubem Alves e, por acharem a escola chata, o fazem apenas por imposição dos pais. Outras já vão de livre e espontânea vontade. De qualquer forma, já no ensino fundamental, todas deveriam se entusiasmar com o universo do saber, para aprender o mínimo necessário.

 

Segundo o professor Cláudio Marques, capacitar-se, formar-se e assimilar conhecimento, além de ter acesso às informações globalizadas, são requisitos essenciais e de forte impacto na vida dos indivíduos, independente dele ser aluno ou professor.

 

Partindo desses pressupostos, já não cabe mais o papel de professor tradicional, que apenas ensina o que é preciso, de acordo com a faixa etária da criançada. Para atender às exigências atuais, inspirar e entusiasmar os alunos em direção ao saber, é preciso se tornar um educador, com capacidade de evidenciar a participação do educando como sujeito da própria educação. Portanto, a partir de atitudes provenientes de estudos constantes e da busca incessante pelo conhecimento, novas habilidades – entre as quais saber pensar, ordenar ideias, defender opiniões, comunicar, gerenciar conflitos, persuadir etc. – devem ser incorporadas à postura docente.

 

 

A diferenciação entre o professor e o educador

Para leigos, ela pode parecer mínima, mas cada tipo de docente tem suas próprias características, que são facilmente percebidas pelas crianças, que passam a fazer comparações e eleger favoritos dentro da escola:

 

Professor – É o sujeito que repassa conteúdos específicos de uma determinada área, de acordo com o programa proposto pela escola, aos alunos. Sua postura em sala de aula é moldada pela tradição e pela experiência adquirida com o próprio aprendizado e formação. Apesar de se concentrar em suas metas, ele respeita os limites de cada aluno e, sem se envolver emocionalmente com a sala de aula, expressa-se exclusivamente de forma técnica.

 

Educador – Ele interpreta suas próprias aptidões e comportamentos e utiliza cada ideia proposta no processo de aprendizagem. Dessa forma, ele tenta facilitar o entendimento, motiva e participa efetivamente da busca pela solução dos problemas e de cada experiência de transição, mudança de hábito, comportamento, ampliação das possibilidades sinestésicas, visuais e auditivas da criançada. Em paralelo, por vivenciar as dificuldades e as conquistas em sala de aula, sente prazer, alegria e satisfação, diante dos trabalhos efetuados pelos alunos. Ele também se adequa à realidade encontrada na escola e no seu entorno e, assim, contribui para a construção do caráter dos alunos que, com sua ajuda, aprendem a fazer suas próprias escolhas.

 

A importância da mudança

Como o educador é aquele que, além de repassar aos alunos conhecimentos específicos de uma determinada área, preocupa-se com a formação da criança, tanto no aspecto técnico quanto moral, seu objetivo maior é o de informar e formar cidadãos. No entanto, dentro de qualquer escola, tais ações sempre implicam em rompimentos que, por sua vez, podem resultar na disponibilidade para o outro.

 

Quando isso acontece, a criança percebe e, ao se sentir responsável pelo próprio aprendizado, descobre-se interessada no saber e acaba por demonstrar seu potencial. Em decorrência, a sala de aula também se transforma num ambiente proveitoso e agradável, capaz de propiciar a busca pela solução dos maiores mistérios da vida.

 

Logo, cabe somente ao docente se conscientizar sobre o que é a postura de um educador, porque, somente dessa forma, ele saberá valorizar as ferramentas que tem, com o objetivo de criar uma didática que fará o aluno ter prazer em aprender, superar seus próprios limites, raciocinar, pensar sistematicamente, refletir, idealizar, criar e solucionar problemas e, em consequência, encontrar caminhos para transformar informações em conhecimento. Em meio a tais conceituações, há uma expressão em latim que mostra a essência de todo esse palavreado: “Nemo dat quod non habet.” Ao ser traduzida para o português, ela ficaria assim: “Ninguém dá o que não tem.” Aproveite essa citação e interiorize-se por alguns minutos, reflita sobre sua postura e anseios como docente e, caso necessário, inicie as mudanças necessárias!

 

Revista guia Prático do Professor – Ensino Fundamental Ed. 95