Princípios éticos para crianças

Todos os educadores e pais desejam transmitir o melhor para as crianças, principalmente, quando se trata de valores éticos e morais

Fotos: Reprodução/heartbreakhypnotist.com | Adaptação web Caroline Svitras

 

Princípios são importantes para os pequenos se tornarem bons cidadãos. Mas como a Ética não é inata, ela precisa ser aprendida no processo educativo, a fim de que a criança, gradativamente, crie uma natureza moral que supere sua própria natureza instintiva.

 

A escola, por sua vez, é um local privilegiado na transmissão desses valores, pois é nela que os alunos formam e desenvolvem seu caráter. Contudo, eles precisam ser motivados não só em sala de aula, mas fora dela, com bons exemplos, com histórias de decência, com valores e princípios. Portanto, a conscientização ética também precisa vir dos pais.

 

Mas, hoje, devido às redes sociais, à liberdade de expressão e um mundo cada vez mais complexo, fica difícil passar certos princípios para as crianças que, por sua vez, acabam destinando sua atenção para outras prioridades. Contudo, por meio de atitudes simples, professores conseguem superar esse desafio: ensinar o que é ética e deixar os alunos livres para se informar, criticar e falar o que pensam.

 

No Colégio Nossa Senhora do Morumbi, em São Paulo, por exemplo, o tema é sempre debatido, seja em sala de aula, no pátio ou nos momentos em que a turma está realizando alguma atividade externa. O objetivo, segundo a professora Silvia M. Prado Ribeiro, é propiciar aos estudantes o crescimento de forma autônoma, com senso crítico, sem deixar de lado seus valores. Logo, como a Ética é uma matéria que faz parte do aprendizado de vida, é importante aproveitar determinadas situações do dia a dia para mostrar quais atitudes tomadas podem ser dadas como corretas ou incorretas.

 

“Ao utilizar como exemplo aquilo que acontece de uma forma prática, fazer a relação entre a atitude e o que realmente deveria ter sido feito, levantamos um questionamento que leva a criança a refletir sobre sua atitude de forma ética”, explica Silvia. Contudo, apesar desse trabalho, ela ainda frisa que os pais devem criar os filhos pensando em fazê-los progredir na vida, mas sem deixar de lado os valores morais e éticos. “Se tivermos apenas o objetivo de mostrar-lhes o se dar bem, seja qual for a situação, com certeza, a Ética, o olhar para o outro e se colocar no lugar dele não vão estar presentes na formação das crianças”, complementa a professora.

 

 

Aprendizado constante do respeito

Ainda conforme alerta Silvia, durante o processo de aprendizado, tanto na escola quanto em casa, é necessário ficar atento para que a ética não seja vista de forma errada. “Em certos casos, ela pode ser confundida com submissão, que representa a aceitação e qualquer situação imposta, por mais que isso não seja agradável ou até mesmo favorável para si”, explica a professora.

 

 

Nesse contexto, como a ética e a moral são fundamentadas pelo respeito, a partir do momento em que é dado ao aluno a oportunidade de desenvolver a consciência em relação às suas atitudes, ele saberá que há um limite e que não é correto desrespeitar alguém ou algo. Logo, a ética aprendida no presente acabará por influenciar todas as ações futuras dele e ainda ampliará suas chances de se tornar um cidadão consciente e sintonizado com os valores.

 

O trabalho com a ética e a moral

A escola é um ambiente apropriado para o exercício e aprendizado da ética. Nela, além de formar o caráter, os alunos podem trabalhar o respeito, a justiça, solidariedade e sua própria moral. Em paralelo, os professores e funcionários ainda obtêm resultados positivos no processo educacional, ao melhorar o ambiente de trabalho, a aprendizagem e o desenvolvimento da moralidade nos alunos que, assim, são preparados para viver em sociedade como cidadãos.

 

Foto: Reprodução/sugarfoots.com

 

É fundamental aplicar a ética na sala de aula, pois ela está diretamente relacionada às regras estabelecidas por meio de leis, que regulam o modo de vida da população de um país. Para conviver em sociedade, respeitando o próximo, é necessário saber o que é ética e, para isso, é necessário um trabalho intenso por parte da escola. Mas, como o tema é complexo, o Colégio Nossa Senhora do Morumbi ainda disponibilizou dicas práticas e eficientes para ajudar o educador a iniciar esse trabalho em sala de aula:

 

1. O que é ética? – Ao apresentar essa questão aos alunos, todos arriscam um palpite, mas não é bem assim que se dá o aprendizado. O ideal é responder tal indagação por meio de atividades que envolvem as crianças de forma mais viva e criativa.

2. Relacionamentos – Como as pessoas são muito diferentes, o que você faria se descobrisse algo muito distinto sobre um amigo? Explorar essas esferas de relacionamento com os alunos é muito importante.

3. Os extremos de uma única situação – É importante que você promova a reflexão em vez de entregar respostas prontas do que deve ou não ser feito. Um exemplo de como fazer isso é analisar os extremos de uma única situação e como ela poderia ser colocada na vida real. Como o extremo do ético e o extremo do errado podem ser facilmente apontados em situações radicais, entre as quais um assassinato ou o desvio de dinheiro em campanhas eleitorais, é importante ressaltar a importância desses valores também em situações vividas pelos alunos, como, por exemplo, colar na prova, sentar em assentos preferenciais quando pessoas idosas ficam em pé, cortar filas, mentir no currículo etc.

4. Testar os limites – Seguindo a sugestão dada acima, questione o que fariam se situações de risco comprometessem seus familiares e amigos? Quais regras estariam dispostos a quebrar para ajudar ou salvar essas pessoas? Ajude-os a refletir sobre a importância e a influência dos relacionamentos em suas decisões éticas e como os outros, próximos ou não, podem ser afetados por elas.

5. Estabelecendo regras – Essa atividade pode parecer um tanto monótona, mas se for feita corretamente irá provocar debates e muita interação entre pontos de vista diferentes. No contexto de cada sala de aula, de acordo com o nível de Educação dos alunos, o professor deve pensar em situações, nas quais eles mesmos possam estabelecer uma regra pessoal de conduta: como, por exemplo, nunca vou falar mal ou bater em outro colega. A partir dessa escolha, coloque as regras em provas. Indague se, caso ele for atacado, não irá se defender? Qual é o limite da paciência para não explodir com o colega, falar mal dele ou desrespeitar o professor? Com essas dicas, além de torná-los cidadãos mais conscientes, os professores também conseguirão passar aos seus alunos princípios e atitudes como solidariedade, vivência democrática, respeito próprio e racionalidade.

 

Adaptado do texto “Ética e moral”

Revista Guia Prático do Professor – Ensino Fundamental Ed. 119