O que os alunos querem aprender?

Será que, na escola, os alunos realmente saciam a própria curiosidade e aprendem para a vida?

Fotos: Itaci Batista | Adaptação web Caroline Svitras

 

A educadora Márcia Almeida dos Santos, diretora do Colégio Almeida Santos e idealizadora do projeto Tiras de Teto, tem uma série de questões pertinentes: “Hoje vivemos em uma mesma época, porém com gerações diferentes. Então, temos que refletir diariamente sobre as nossas aulas. Acredito que não devemos preparar os alunos somente para as avaliações dos programas, mas, sim, para as adversidades da vida. A questão não é discutir se a Matemática é útil. Mas será que tudo que ensinamos é importante para a vida deles? Cabe a nós educadores sempre questionar,  fazer conexões e buscar alternativas para inserir no currículo situações para que a criança tenha acesso às questões da vida. Se o professor não tiver nem como buscar conhecimento, como poderá direcionar e equilibrar o saber?

 

A partir dessas indagações, já dá para perceber que o lema da jovem diretora é sempre se mobilizar em busca do novo para contemplar o aprendizado infantil. Por isso, ela optou por introduzir algo diferente nas salas de aula, com base no livro Primeiro Degrau, de Celso Antunes.

 

 

O desenvolvimento do projeto

A educadora propôs um desafio aos docentes da instituição, para que todos pudessem descobrir o que as crianças gostariam de aprender no semestre. Valia qualquer assunto de interesse infantil: do que é Ciência à importância da alimentação ou como nascem e crescem os cabelos e as unhas.

 

Assim, no primeiro dia de aula depois das férias de meio de ano, cada professor entregou para sua turminha uma tira de cartolina na intenção de fazer cada aluno escrever suas indagações de forma individual. Logo após, eles reuniram todas as tiras e passaram a fazer a mediação com as crianças que, sem terem a noção da finalidade da atividade, participaram da aula normalmente.

 

Depois, além de analisarem cada uma das tiras, eles ainda as ajustaram de maneira compatível a sua disciplina. Nelas havia desde questões comuns às mais intrigantes e interessantes. Algumas eram fáceis de serem respondidas. Outras exigiriam pesquisas de tão incomuns que eram.

 

 

Após uma semana

 

Para surpresa das turminhas, cada aluno foi recepcionado em sala de aula com uma bela decoração de tiras no teto. De início, eles não perceberam que o arranjo era produção deles, mas, aos poucos, notaram as próprias indagações impressas – o que facilitava a leitura de todos.

 

“”Nossa intenção, com as tiras de teto, é que no decorrer do semestre todas as questões sejam desvendadas na relação professor-mediador e aluno, a partir da interdisciplinaridade. É claro que, diante de algumas indagações, todos terão de se envolver em pesquisas, momentos em que o professor aprenderá com os alunos e vice-versa, em uma interação sadia e envolvente”, ressalta a diretora.

 

Sem dúvida nenhuma, o novo contexto de sala de aula foi construído para e pela curiosidade da criançada em sanar as dúvidas de conhecimento do mundo. “Celso Antunes destaca que devemos, de maneira criativa, ensinar os alunos que não é necessário haver um abismo entre os saberes essenciais para se viver e os outros destinados para funções classificadas como inúteis, que muitas escolas cultivam em seus currículos convencionais, algumas vezes, apenas para avaliar e atormentar seus próprios alunos. Por isso, em nossa escola compartilhamos as palavras deixadas por Albert Einstein: insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”, conclui Márcia.

 

 

Sugestão valiosa

Com interesse pedagógico e boa vontade, qualquer instituição de ensino pode reproduzir um projeto semelhante para ampliar os conhecimentos de seus alunos. Por quê? Há inúmeras respostas, mas podemos recorrer a Rubem Alves para responder a essa pergunta. Ele costuma dizer que as escolas são chatas, em virtude da burocracia, que não está ligada com a vida. A maioria das instituições de ensino não leva em consideração as crianças, pequenos seres fascinantes por natureza que sempre fazem perguntas incríveis. Portanto, conforme afirma o educador, “temos que prestar mais atenção nelas”.

 

 

Adaptado do texto “Tiras de teto”

Revista Guia Prático do Professor – Ensino Fundamental Ed.113