Como lidar com alunos com TEA

Crianças com Transtorno do Espectro do Autismo têm direito à educação, inclusive no que se refere à perspectiva inclusiva

Por Sílvia Ester Orrú

Alunos com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) apresentam algumas singularidades que envolvem dificuldades de linguagem, interação social, interesses restritos etc. Além disso, como algumas oralizam e outras não, atividades realizadas com comunicação alternativa podem contribuir significativamente para o aprendizado e desenvolvimento delas. Tais atividades ainda podem ser apresentadas aos demais alunos, de modo a favorecer a interação social entre todas as crianças. É importante também não deixar de dialogar com a criança e investir em seu potencial, tendo clareza e objetividade naquilo que deseja apresentar a ela, bem como daquilo que espera dela como resposta. Lembre-se que, frases longas demais e dúbias atrapalham sua compreensão.

Além disso, ainda cabe ao professor promover a participação da criança nas diversas atividades junto aos colegas, para que ela desenvolva sua capacidade de socialização. Contudo, é necessário respeitar suas singularidades e suas escolhas, entendendo que cada criança é um universo diferente e que o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) não a define.

Dicas (portadores entre 6 e 9 anos)

Comunicação alternativa – é sempre um ótimo recurso para que as crianças relacionem imagem, palavra, som e objeto a serem conhecidos e trabalhados. As imagens podem ser impressas a partir de softwares específicos de comunicação alternativa ou serem construídas por meio de fotografias ou recortadas de revistas, desde que abaixo delas estejam as palavras escritas (por exemplo, a água pode ser representada por uma torneira aberta, a turminha toda por um conjunto de crianças etc.). Normalmente, o ideal é trabalhar a ficha de comunicação sempre em conjunto com o objeto concreto, com som correspondente e no ambiente natural. Note que, na educação inclusiva os demais coleguinhas também poderão participar das atividades trocando as fichas com o coleguinha autista.

Prever as atividades do dia – é muito importante para que a ansiedade da criança possa ser trabalhada de forma saudável, diminuindo seu estresse. Por meio de softwares de comunicação alternativa ou de fotos do próprio ambiente escolar é possível criar uma agenda. Logo no início da aula, junto à turma toda, as imagens são apresentadas. E a cada vez que uma nova atividade for iniciada, a agenda deve ser apresentada para a criança e seus demais colegas (por exemplo, dá para optar por figuras que mostram que é hora do lanche, momento de ir à biblioteca, ao laboratório de informática, de brincar etc.).

Expressões faciais referentes aos sentimentos – elas costumam ser de difícil compreensão para crianças com autismo. Portanto, colocar a mão do aluno portador do transtorno no rosto de um coleguinha que faz a expressão de contente ou triste ou no rosto do próprio professor é uma maneira de promover sua percepção. O uso de imagens, que mostram figuras felizes, tristes, com dor, entre outras, também auxiliam na construção da importante aprendizagem.

Manter diariamente diálogo com a criança – é preciso saber o que ela deseja. Mas se há dificuldades na oralização, uma prancha com várias possibilidades de escolhas pode ajudá-la a se expressar e comunicar seu desejo. Nesse caso, o professor pode apresentar a prancha à criança e, em seguida, pedir que aponte o que deseja ou apontar e perguntar a ela se é essa a sua escolha.

Por fim, note que, crianças com autismo costumam ter alguns interesses bem peculiares. Portanto, trabalhar com esses eixos de interesses é fundamental para a aprendizagem e desenvolvimento delas. A partir de um tema específico, é possível elaborar junto aos demais alunos um projeto a ser desenvolvido. Se a criança se interessar, por exemplo, por dinossauros, em um grupo com 2 ou 3 coleguinhas, ela poderá aprender história, linguagem, geografia, matemática, semelhanças, diferenças, arte e muito mais.

Por fim, note que, embora estejamos no final do ano letivo, a minha intenção é que você guarde todas estas sugestões e, quando possível, comece a prepará-las, para recepcionar adequadamente um possível aluno com Transtorno do Espectro do Autismo em 2017!

Adaptado do texto “Como lidar com o TEA”

Revista Guia Prático do Professor – Ensino Fundamental I Ed. 145