Vamos estudar o Universo

A cada anúncio feito pelos astrônomos, a criançada ligada no espaço vibra com a possibilidade de, em um futuro bem distante, a Humanidade ser transferida para além do Sistema Solar

Foto: Wikipedia | Adaptação web Caroline Svitras

 

 

Para abordar o assunto explique que, desde 2009, quando se iniciou a Missão Kepler, já foram descobertos mais de 21 planetas fora do Sistema Solar, com tamanhos de no máximo duas Terras, localizados em zonas habitáveis de suas respectivas estrelas. Entre eles, nove são rochosos como o nosso planeta. Contudo, ainda não é possível afirmar se eles têm ou não água, a substância essencial para existência e manutenção da vida.

 

Embora tais descobertas sejam maravilhosas do ponto de vista da Astronomia, o que muita gente, incluindo as crianças, não sabe é que uma zona habitável nada mais é do que uma região ao redor de uma estrela onde o nível de incidência de luz (emitida por essa mesma estrela) seria capaz de permitir a existência de água líquida na superfície do corpo celeste que a orbita. De acordo com cálculos matemáticos, essa zona habitável deve estar situada entre zero e 100 °C, índices que correspondem respectivamente às temperaturas de congelamento e evaporação da água.

 

A Terra, por exemplo, está no interior deste limite, a mais ou menos 150 milhões de quilômetros de distância do Sol, entre Vênus e Marte. Portanto, aqui, a vida encontrou condições de desenvolvimento e existência. Consequentemente, também é preciso prestar atenção no que é designado de condições favoráveis à vida, pois a base que temos é proveniente nosso próprio planeta, até agora, o único caracterizado pela existência de vida.

 

Por sua vez, Vênus e Marte, apesar de serem rochosos como a Terra, não apresentam as mesmas condições do nosso planeta. Enquanto Vênus tem uma atmosfera na qual é nítido o efeito estufa, que deixa o planeta quente e abafado demais para qualquer tipo de vida, Marte já teve até água líquida e atmosfera adequada para o surgimento dela, mas por algum motivo desconhecido tais condições mudaram e impediram o surgimento de vida a partir do parâmetro conhecido.

 

Logo, se não temos informações suficientes nem sobre o nosso Sistema Solar, imaginar que os exoplanetas podem ser habitáveis ainda é ficção, principalmente, por que eles estão distantes demais da Terra e a observação de cada um é limitada a pequenos cálculos, medições e o uso constante de telescópios muito potentes.

 

 

A Missão Kepler

Ela não procura especificamente vida nem exoplanetas que possam abrigar a Humanidade em caso de alguma catástrofe na Terra. Seus objetivos são buscar, estudar e listar corpos celestes que estão em zonas habitáveis de suas respectivas estrelas. Por enquanto, saber se neles há atmosfera eficiente e água na superfície é praticamente impossível, pois os astrônomos ainda dependem do avanço das tecnologias atuais para tanto. Além disso, temos que considerar que a vida se desenvolve conforme outros eventos químicos e biológicos que acontecem em cada planeta que, por sua vez, é único. Por conseguinte, caso haja vida fora do nosso Sistema Solar, ela pode tanto ser semelhante quanto bem diferente da nossa.

 

Dessa forma, a única coisa que nos resta é cuidar bem da Terra, para que ela continue abrigando as futuras gerações, sem nunca se esquecer de que os cientistas já estimaram que o nosso planeta deverá sair da zona habitável do Sol por volta de 1,75 milhão de anos, o que significará o fim da vida por aqui também!

 

 

Adaptado do texto “Novos exoplanetas”

Revista Guia Prático do Professor – Ensino Fundamental Ed. 145