Comemorações de março

No terceiro mês do ano, há algumas comemorações que, com imaginação, podem ser usadas para expandir o conhecimento infantil, entre elas o Dia Nacional do Turismo e o Dia Internacional da Mulher

Foto: Reprodução (Marcos Santos/ USP Imagens) | Adaptação web Caroline Svitras

 

 

Turismo não significa só visitar lugares inusitados. Um olhar mais apurado em locais próximos à escola pode render uma série de conhecimentos. Por menor que seja a cidade, sempre há uma igreja, uma praça ou um antigo edifício repleto de informações históricas, artísticas, arquitetônicas, de diversidades biológicas etc. Ao explorá-los junto às crianças, o interesse delas para o entorno será despertado e, logo, todas aprenderão a valorizá-lo.

 

Já o Dia da Mulher pode ir além da simples lembrancinha, pois ele é ideal para provocar uma reflexão sobre a condição feminina dentro de um contexto próprio: qual o papel da mulher em uma sociedade urbana ou rural, conforme sua classe social? Ou, quais foram as mulheres que romperam com os padrões e mudaram a história? A partir do entendimento de alguns aspectos, os alunos poderão aprender a respeitar e até amar muito mais as mulheres com quem convivem!

 

 

Dia Nacional do Turismo

Comemorado em 2 de março, à primeira vista, o turismo parece não ter nada de pedagógico. Porém, além de dar base para um projeto que inclui visitas periódicas a pontos culturais e históricos da cidade em que a escola está inserida, ele também pode integrar a criançada na vida social, pois, muitas delas, sem a ajuda da escola, dificilmente entrariam em um museu, apreciariam uma obra de arte ou a arquitetura de uma época passada. Tais atividades não fazem parte da vida cotidiana das famílias brasileiras e fazer turismo não significa transpor fronteiras no caso das crianças. Basta escolher o lugar certo e mostrar a elas o significado dele.

 

O Colégio Santo Ivo, que fica no bairro da Lapa, zona oeste da capital paulista, já expande o ensino dado aos seus alunos por meio do projeto “Pelas Ruas de São Paulo”, para que conheçam e valorizem as características fundamentais da cidade. A ideia da iniciativa, na qual são realizadas saídas mensais para pontos culturais da cidade, é agregar conhecimento e aprimorar o olhar dos estudantes, pois São Paulo, como qualquer outra localidade brasileira, independente do tamanho, tem edifícios históricos, museus, igrejas, praças e momentos que remetem ao passado. Tais lugares ainda possibilitam encontros com pessoas diferentes e apresentam uma geografia singular, que merecem ser observadas in loco.

 

Alunos do Colégio Santo Ivo na escadaria da Pinacoteca do Estado de São Paulo | Foto: Arquivo do Colégio Santo Ivo

 

Segundo explica Myrna Ibrahim, diretora pedagógica da instituição citada, após a atividade de rua, sempre é feita uma leitura dos fatos, pois a saída pedagógica abre espaço para uma apreciação pessoal da realidade sem recortes. Para os alunos que já visitaram lugares como a 30ª Bienal, a Pinacoteca do Estado de São Paulo e o Museu da Arte Brasileira, da Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), a atividade acaba despertando novos interesses. “Com os passeios, aprendi a me interessar por arte. Além disso, sem perceber, nós aprendemos não somente sobre determinado local ou pessoa, mas também sobre todo contexto da sua época”, diz Roberta Scátola, aluna do colégio.

 

A partir desse exemplo, que tal implantar algo diferente em sua escola no Dia Nacional do Turismo? Com um bom planejamento, sempre descobrimos que há vários pontos, inclusive não valorizados, que podem ser interessantes sobre muitos aspectos e, entre eles, muitos ainda dão entrada gratuita para escolas. Pesquise e proporcione à criançada o que de outra maneira elas não teriam a oportunidade de conhecer!

 

 

Dia Internacional da Mulher

Neste ano, em vez de falar da história do dia 8 de março, que tal fugir do tradicional e provocar uma reflexão sobre as diferenças entre o sexo masculino e o feminino? Embora tivemos uma mulher na presidência, explique que ela não reflete a situação daquelas que fazem parte das camadas mais baixa da sociedade. Em seguida, comece uma série de questionamentos para que cada um, de acordo com a sua própria realidade, perceba o papel que a mulher ocupa no contexto referente. Pergunte o que eles entendem por:

  • Liberação feminina e ascensão social?
  • A importância de situar a mulher como  um ser mais sensível e frágil conforme a estrutura de poder masculina?
  • Como é que criaturas tão sensíveis podem assumir papéis de comando, de poder e de proteção familiar?
  • Por que em muitas sociedades a mulher ainda é tida apenas como reprodutora e mãe de família?
  • De acordo com a dimensão biológica e social, quais as disparidades entre o sexo masculino e feminino?
  • Tais diferenças são significativas?
  • Elas justificam a atual desigualdade na estrutura social?
  • A mulher tem o direito de não querer ser mãe na sociedade atual?
  • As mulheres estão assumindo um papel pretensamente masculino?

 

Após ouvir as respostas, induza o raciocínio infantil para as várias singularidades pertinentes ao tema. Tente fazer os alunos entenderem que, embora haja diferenças nas funções biológicas, homem e mulher são seres idênticos, que podem se complementar. Portanto, o papel da maternidade é somente mais um que a mulher pode assumir junto a tantos outros. Em paralelo, também os faça notar que mais da metade da humanidade é composta por mulheres e, entre elas, há muitas  não tanto como o almejado – com funções sociais decisivas e a mesma competência de raciocínio dos homens.

 

Eva Todor, Tônia Carrero, Eva Wilma, Leila Diniz, Odete Lara e Norma Bengell, lutando contra a censura em plena ditadura militar (foto de Ziraldo registrada em 1968) | Foto: Reprodução/imagesvisions.blogspot.com

 

Ressalte que, somente sob tradições culturais opressivas que se valem de violência física, as mulheres são relegadas a uma posição inferior. Explique ainda que, a alteração do papel feminino na sociedade contemporânea é consequência de lutas, por meio das quais muitas mulheres – mas não todas – romperam com a opressão, principalmente durante a época da ditadura militar em nosso país, momento em que se destacaram por reivindicar uma série de mudanças (observe a foto e a legenda que traz nome de atrizes famosas, pois algumas são conhecidas pelas crianças).

 

Para conduzir esse debate, tenha como objetivo o entendimento infantil sobre a construção do papel da mulher que, tanto quanto o do homem, além de ser indefinido, mistura-se ao contexto social vigente. Logo, tanto um quanto o outro, a partir do respeito próprio e a compreensão de igualdade, tendem a encontrar uma  adequação para a vivência conjunta muito em breve!

 

Sugestão de atividade

Após posicionar os alunos em relação ao papel da mulher, peça que pesquisem a biografia de mulheres que se sobressaíram em seu tempo, por não aceitarem o papel que lhes eram imposto. Como o tema não é fácil, que tal apresentar a eles Chiquinha Gonzaga?

 

Foto: Reprodução/nouvellesetvarietes.blogspot.com

 

Nascida no Brasil escravocrata, em uma época em que a mulher deveria se casar, ter filhos, sair pouco de casa e viver dentro do regime patriarcal, ela resolveu estudar música. Apesar de ter se casado, separou-se, deu aulas de piano para sustentar os filhos, compôs várias músicas, teve vários amores, enfrentou problemas com o governo, obstáculos e preconceito, mas se consagrou graças à própria genialidade e espírito libertário, que eternizaram seu nome na história da música brasileira. A partir dela, com um pouco de estímulo e orientação, eles chegaram ao nome de outras mulheres importantes.

 

 

Revista Guia Prático do Professor – Ensino Fundamental Ed. 115