Avaliação psicológica na escola

Diante de alunos com dificuldades de aprendizagem, a entrevista com os pais é ideal para dar o direcionamento assertivo ao planejamento pedagógico

Por Marília Piazzi Seno | Foto: understood.org | Adaptação web Caroline Svitras

 

A anamnese é um procedimento bastante comum na área da saúde. Trata-se de uma entrevista realizada com o indivíduo quando adulto ou seus pais, que tem como objetivo pesquisar fatos que ocorreram em sua vida anteriormente e que podem ter alguma relação com a queixa atual. Por isso, tal procedimento também é extremamente válido na escola, tanto que, hoje, alguns cursos de Psicopedagogia já abordam o assunto mais profundamente.

 

Porém, para estar apto a fazer uma anamnese é necessário estudo e preparo, além de respeito, ética e postura correta frente às respostas obtidas, pois estes requisitos também são fundamentais para o bom trabalho, principalmente no ambiente escolar, onde a entrevista com os pais é de extrema importância importante para se conhecer a realidade dos alunos, pois ao compreender o contexto familiar no qual estão inseridos, é possível encontrar respostas para muitos dos comportamentos ou comprometimentos apresentados no dia a dia.

 

Mas, considerando que é quase impossível chamar todos os pais para uma anamnese, faz-se necessário priorizar aqueles cujos filhos estão apresentando alguma dificuldade pedagógica, porque as crianças reproduzem na escola o que vivenciam em casa. Muitas vezes, elas estão expostas a um ambiente desfavorável para seu desenvolvimento físico, psíquico ou emocional e, em consequência, demonstram em sala de aula que alguma coisa não está bem.

 

Foto: Carlos Ricon

 

Conflitos constantes entre os pais, condições precárias de moradia, dependência química, carência afetiva, agressão física e verbal são alguns fatores muito comuns nas comunidades mais carentes que são atendidas pelas escolas públicas do nosso país. Portanto, quando a entrevista é bem conduzida também é possível traçar um perfil da realidade da criança e pensar em estratégias que contribuam de forma mais direcionada para o seu aprendizado.

 

 

Dicas para uma boa entrevista

Procure agendar o compromisso com antecedência, para que você e também os pais se programem e tenham disponibilidade de conversar sem nenhuma pressa. Se quiser, lembre-os que a duração da entrevista é de aproximadamente uma hora. Depois, preste atenção nas seguintes questões que serão responsáveis pela boa condução da anamnese, bem como em suas respectivas respostas que, por sua vez, devem ser devidamente anotadas.

 

Como devo agir diante dos pais?

Explique o motivo da entrevista. Diga que fará algumas perguntas para conhecer um pouco melhor a criança, a fim de auxiliá-la em suas dificuldades. Mostre-se parceiro da família. Seja discreto, não faça comentários ou julgamentos. Lembre-se que o entrevistado estará expondo sua vida.

 

Qual o local mais apropriado para realizá-la?

Em um ambiente tranquilo e que garanta a privacidade de todos.

 

Quem deve responder a anamnese?

Preferencialmente a mãe. Caso não seja possível, a entrevista pode ser feita com o pai, avós ou responsável legal.

 

Quantas perguntas fazer?

Algumas questões fazem parte de qualquer entrevista, mas é você que irá direcioná-las de acordo com a necessidade de cada caso (logo, não há uma quantidade pré-determinada de indagações).

 

O que perguntar?

O ideal é dividir as perguntas em alguns blocos para melhor conduzir a entrevista. Note que cada questionamento tem como objetivo traçar a relação com a queixa atual, comportamentos ou comprometimentos da criança.

 

Dado o primeiro passo, fique atento, porque na próxima edição explicarei tanto qual é o objetivo de cada pergunta quanto como deve ser interpretada cada informação obtida.

 

 

Fique atento!

A anamnese é um documento confidencial do aluno que permite ao professor e a equipe pedagógica da escola investigar e traçar as intervenções necessárias, no caso de alguma dificuldade apresentada pela criança. Excluídos os problemas neurológicos ou pequenas lesões cerebrais ocasionadas durante a gestação ou mesmo durante o período da primeira infância, por meio da entrevista, dá para constatar estresse, espancamentos, certas doenças, rompimento das relações entre mãe e pai ou entre ambos e o filho, entre outros conflitos, que se correlacionam principalmente com a redução do desenvolvimento cognitivo.

 

Como lidar diante de situações de bullying na escola

 

Tais informações são de suma importância para contornar dificuldades de aprendizagem ou distúrbios de comportamento e ainda orientar tanto a escola que, por sua vez, deverá dar o suporte necessário ao adequado progresso do aluno, quanto os demais professores, inclusive dos anos seguintes, que, assim, poderão avaliar o desenvolvimento da criança, considerando seu possível problema, na tentativa de intervir pedagogicamente de acordo com sua capacidade cognitiva.

 

 

*Marília Piazzi Seno Como fonoaudióloga e psicopedagoga, além de atuar na Secretaria Municipal da Educação de Marília, cidade do estado de São Paulo, ela também  presta consultoria e assessoria escolar e, nessa condição, sempre nos dará dicas sobre problemas relacionados ao aprendizado infantil. Para contatá-la, inclusive para obter informações sobre as palestras que ministra sobre os temas que aborda, envie e-mail para: mariliaseno@hotmail.com