Tempestades solares e seus efeitos

O assunto é atual e o que é chamado de tempestade solar são as explosões na superfície do Sol que, por sua vez, causam mudanças repentinas no campo magnético da Terra

Fotos: Wikimedia Commons | Adaptação web Caroline Svitras

 

As erupções solares acontecem quando um grande fluxo de radiação emitida pelo Sol se espalha pelo espaço e atinge o campo magnético da Terra. Essa radiação, denominada vento solar, pode se apresentar em forma de partículas (plasma) ou em forma de luz (radiação eletromagnética).

 

 

O ciclo do Sol

Em média, a cada 11 anos, o Sol passa por períodos nos quais ocorrem a diminuição e o aumento de suas atividades. Nos períodos de aumento, as explosões em sua superfície levantam uma nuvem de partículas 13 vezes maior que a Terra, que é lançada para o Sistema Solar a mais de 1,6 milhão km/h. Esse fenômeno arrasta gases evaporados dos planetas, poeira meteórica e raios cósmicos de origem galáctica que podem atingir o campo magnético da Terra, momento em que provoca as tempestades geomagnéticas, que alteram a intensidade e a direção do campo magnético terrestre. Em casos extremos, há quedas de energia elétrica, interferência no funcionamento dos satélites de comunicações e de instrumentos de navegação, com efeitos imprevisíveis sobre o clima.

 

Explosão solar fotografada em março de 2011, pelo satélite Soho, da agencia espacial NASA 

Campo magnético da Terra

O nosso planeta tem a superfície razoavelmente protegida por diversas camadas da atmosfera. Entre essas camadas, a magnetosfera funciona como um escudo, que desvia a maior parte das partículas que viajam pelo espaço, impedindo que elas cheguem à superfície terrestre. No entanto, quando há tempestades solares de grande intensidade, parte da radiação penetra na magnetosfera e acaba por atingir a atmosfera, o que causa uma série de interferências:
Elétricas – Elas causam diferentes danos elétricos, principalmente em latitudes altas, que vão desde fortes ondas de descarga elétrica nos cabos de transmissão de força – o que causa curtos-circuitos, queima de equipamentos, panes em sistemas elétricos e redes de distribuição de energia, prejudicando circuitos integrados, computadores de bordo, satélites, foguetes etc. – até blecautes nos sistemas de transmissão e nos transformadores de energia elétrica das cidades – com prejuízos para indústrias, residências, hospitais e empresas.
Satélites – Em uma tempestade geomagnética, as camadas superiores da atmosfera se aquecem e se expandem. Esse fato, pode mudar a altura, retardar ou modificar a órbita dos satélites que, por sua vez, além de ter seus sistemas danificados ou se perder em sua órbita, deixam de se comunicar com a Terra.
Sinais de rádio, de TV a cabo e de aparelhos celulares – Quando operados por satélites, apresentam ruído na frequência que, por vezes, chega a ser observado na tela da TV ou nas transmissões de rádio.

 

Além disso, em:
Aparelhos de GPS e outros sistemas de navegação – Em virtude da degradação do sinal, têm sua precisão comprometida – o que pode gerar sérios acidentes aéreos e marítimos.

 

 

 

Perigos da radiação

Partículas de alta energia liberadas pelas erupções solares podem ser tão prejudiciais aos seres humanos quanto à radiação das explosões nucleares. Portanto, se as grandes doses são fatais, as demais também podem provocar danos aos cromossomos, câncer e muitos outros problemas de saúde. Por isso, o Sol é monitorado constantemente, para que providências possam ser tomadas com antecedência contra os efeitos nocivos das tempestades geomagnéticas.

 

Esquema da magnetosfera terrestre repelindo a radiação proveniente das tempestades solares 

 
Entre outros exemplos, um aviso antecipado de uma tempestade geomagnética permite que as distribuidoras de energia elétrica evitem danos em suas redes e que satélites, naves espaciais e astronautas possam ser protegidos. Até passageiros de aviões sofrem algum risco que, embora seja pequeno, equivale a uma dose de radiação igual a dos raios-x médicos. Nesse caso, graças ao monitoramento, a trajetória e a altitude dos voos são ajustadas, a fim de baixar as doses absorvidas por eles.

 

 

 

A formação das auroras boreal e astral

Quando as partículas eletricamente carregadas, que são expelidas pelo Sol durante uma erupção solar, conseguem penetrar através da magnetosfera, elas se chocam com os átomos de oxigênio e nitrogênio da atmosfera e, então, produzem uma radiação no comprimento de uma onda da luz visível.

 

Essa radiação é atraída pelo campo magnético do planeta para as regiões mais frágeis que são os pólos, ocasionando luzes coloridas que surgem no céu e causam um belo espetáculo chamado Aurora, que pode ser observada por diversas horas em vários países localizados em alta altitude, tais como Suécia, Finlândia, Noruega, Escócia e nas regiões norte dos Estados Unidos e Canadá ou ao redor do Polo Sul. Por isso, quanto maior a atividade solar, mais intensa são as auroras que se estendem por até 60 km, em variadas formas (arcos, estruturas em bandas, raios, lâminas etc.) multicoloridas.

 

 

Adaptado do texto “As tempestades solares e seus efeitos sobre a Terra”

Revista Guia Prático do Professor – Ensino Fundamental Ed. 96