A terrível ansiedade

Com a correria do dia a dia, cada vez mais crianças se deparam com esse sentimento desgastante, que a maioria das pessoas, em um momento ou outro da vida, sempre enfrenta

Foto: oijj.org | Adaptação web Caroline Svitras

 

Tida como uma emoção característica do ser humano, a ansiedade sempre aparece em situações de medo, insegurança, tensão, perigo etc. Consequentemente, ela também se manifesta de várias formas, entre as quais a sensação de vazio no estômago, nervosismo, transpiração, coração acelerado etc. E na escola não é diferente, pois as crianças também sofrem com a ansiedade que, segundo Karin Kenzler, psicóloga do Colégio Humboldt (instituição bilíngue – português/alemão – e multicultural, que este ano comemora 100 anos), dependendo da intensidade e do grau pode se tornar patológica e acarretar problemas posteriores. “O grau de ansiedade patológico é definido como aquele que causa interferência nas atividades normais do indivíduo”, afirma Karin.

 

 

Dicas para minimizar a ansiedade

Na próxima reunião com os pais explique que não só as crianças, mas eles também devem:

1 – Estabelecer limites para a busca de informações tanto para si mesmos quanto para os filhos, de forma cronológica e quantitativa.

2 – Conduzir uma agenda que inclua tempo para as necessidades vitais de qualquer ser humano, como comer, dormir, relaxar etc.

Karin Kenzler é psicóloga do Colégio Humboldt, instituição de ensino bilíngue e multicultural (português/alemão. | Foto: Arquivo pessoal

3 – Fazer uma coisa por vez, pois o ideal é sempre concluir as tarefas começadas, na tentativa de economizar a energia gasta tanto na interrupção quanto na retomada da mesma atividade.

4 – Praticar esportes, uma vez que a maioria deles desacelera a ansiedade, ao mudar o foco da atenção da “cabeça” para o corpo, ao mesmo tempo em que aliviam e descarregam as tensões. Contudo, lembre-se também que práticas artísticas, como música, dança e pintura também cumprem essa função.

5 – Limitar o uso de eletrônicos, estabelecendo regras e horários. Consequentemente, os membros da família nunca devem interromper atividades que estão sendo executadas em conjunto, como almoçar ou jantar, para checar conversas e informações on-line. Além disso, à noite, o melhor é que todos desliguem o celular e não levem nenhum eletrônico para a mesa lateral ou mesmo até a cama. Assim, aos poucos todos irão se conscientizar que comer requer tranquilidade e o quarto é um lugar de descanso, não de preocupações.

 

 

Quando se preocupar

A criança é ansiosa por natureza, tanto que elas querem tudo para já. Em uma viagem, por exemplo, elas ficam o tempo todo perguntando quando vão chegar e, mesmo sabendo a data de uma festa ou ocasião especial, dificilmente esperam pela chegada do tão desejado dia, sem questionar quanto tempo ainda falta. Porém, há sintomas preocupantes que podem ser notados em sala de aula e, em consequência, levados ao conhecimento dos pais, para que procurem ajuda especializada para os filhos:

 

• excessiva preocupação na maioria dos dias da semana, durante semanas a fio;
• sonolência durante o dia, em virtude de problemas para dormir à noite;
• inquietação ou fadiga durante as horas de vigília;
• dificuldade de concentração;
• irritabilidade constante.

 

Foto: Reprodução/understood.org

Embora as crianças, quando questionadas sobre o que vem acontecendo, evitem falar sobre seus problemas, porque acreditam que os adultos dificilmente vão entendê-las, tente conversar de forma amigável com elas. Depois procure os pais, repasse suas impressões e oriente-os a procurar um profissional de saúde para avaliar o caso. Um terapeuta, por exemplo, pode olhar para os sintomas, diagnosticar a ansiedade e ainda criar um plano para ajudar a criança a lidar com esse sentimento desgastante, inclusive por meio de técnicas de enfrentamento, de relaxamento e de exercícios respiratórios.

Lembre-se também que, apesar das meninas serem mais propensas a manifestar a ansiedade, meninos também experimentam essa sensação desagradável, que fazem ambos os sexos se sentirem sozinhos ou mal compreendidos.

 

Repasse às crianças

Provas, sejam elas de avaliação ou competitivas, podem gerar ansiedade. Mas quem estuda e sabe as matérias, apesar do nervosismo, não precisa ficar ansioso, pois nem sempre é possível ser o melhor da classe. Se a criança não conseguiu se dar bem, por exemplo, em um exame de verificação de aprendizado, faça-a refletir sobre alguns pontos que podem ter causado a nota baixa, mas já mostrando que, se ela aprender a contorná-los, irá se recuperar da próxima vez.

 

Foto: babble.com

 

Já em relação às competições, apesar de todos quererem vencer, explique que tais práticas enfocam apenas a superação pessoal. Portanto, incitam a vontade própria que gera a tenacidade necessária até para aceitar os insucessos. Afinal, cada ser humano tem suas habilidades específicas e ninguém consegue ser sempre o melhor em tudo!

 

Revista Guia Prático do Professor – Ensino Fundamental Ed. 140