Incentive o protagonismo infantil

Incentivar o diálogo entre os alunos para que possam resolver as próprias questões é fundamental para a boa convivência na escola

Foto: Reprodução (jovensdiplomatas.wordpress.com) | Adaptação web Caroline Svitras

 

A palavra protagonismo vem do latim e é composta por protos, cujo significado é ser o principal, e agonistes, que implica em lutador ou competidor. Consequentemente, ela remete à figura principal de uma apresentação. Embora o termo seja muito usado nas artes cênicas, ele também pode ser aplicado à Educação, momento em que se destina a indicar um aluno que desempenha ou ocupa o papel principal em uma ação positiva ou negativa que gera conflitos no ambiente escolar.

 

Partindo dessa definição, é fácil notar que qualquer entidade de ensino tem alunos protagonistas, que precisam ser incentivados a discutir problemas que aparecem no cotidiano escolar, tanto dentro quanto fora da sala de aula. Mas como proporcionar essa condição a eles requer mediação, faz-se necessário recorrer a projetos que possam incentivá-los a assumir suas responsabilidades perante aos demais que, diante da posição do colega, também terão a chance de desenvolver seu próprio protagonismo.

 

No Colégio Santo Américo, por exemplo, existem as chamadas Assembleias Escolares, que acontecem quinzenalmente e contam com a presença de professores, cuja função é mediar a conversa das crianças. “O objetivo dessa prática, além do levantamento de possíveis respostas, acordos ou regras referentes à resolução de conflitos, é levar os alunos a expressarem suas ideias, respeitarem outras opiniões e se colocarem no lugar de seus colegas”, explica José Ruy Lozano, coordenador pedagógico do colégio.

 

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No caso da instituição citada, entre os temas de discussão mais recorrentes, destacam-se as conversas durante as aulas, brincadeiras inadequadas com colegas, exclusão, material no chão, questões relacionadas ao uso impróprio da Internet, problemas no recreio etc. Segundo Karin Garzón, uma das mediadoras atuantes do colégio, durante esse processo, as crianças compreendem que nem todos os conflitos são culpa do outro. “Nas assembleias, por meio do diálogo, o aluno consegue ver que, por exemplo, os outros não estão falando com ele, devido a algo ofensivo que ele disse. Essa consciência sobre si mesmo e a capacidade de se responsabilizar são conquistas muito importantes que contribuem para o amadurecimento”, assinala.

 

O desenvolvimento do projeto

Para viabilizar o processo, o Colégio Santo Américo colocou em cada sala de aula duas caixas, com os respectivos dizeres: “Quero falar sobre…” e “Quero parabenizar…”

 

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Na primeira, os alunos – e também os professores – colocam propostas de discussão, escolhidas e colocadas na sequência dos debates pelos representantes de classe, em aula anterior à realização da assembleia, sob a supervisão docente.

 

Depois, com os estudantes já sentados em círculo, em uma sala especialmente preparada para esse fim, o professor dá início à assembleia com a leitura do primeiro assunto da pauta a ser discutido. Em seguida, passa a palavra para os alunos. “Eles ainda estão aprendendo que, tanto nas propostas de pauta quanto nas discussões, não podem mencionar o nome de colegas nem de professores. Isso porque, além de querermos evitar discussões interpessoais, nossa meta é gerar uma reflexão abrangente sobre o tema em questão, até mais do que resolver um problema específico”, observa Regina Bitelli, mediadora das turmas de 5º ano.

 

Foot: Colégio Santo Américo

 

Alguns resultados positivos têm sido observados. Conforme explica a também mediadora Claudia Zaclis, até os alunos mais calados começaram a expressar-se: “A presença do adulto mediador gera confiança. Todos sentem que podem falar e, o mais importante, que serão ouvidos. Isso traz, para todo o grupo, consciência sobre problemas muitas vezes nem percebidos. Ao ouvirem os colegas dizendo que certas brincadeiras durante a aula estavam prejudicando o grupo, por exemplo, alguns alunos se deram conta do que faziam e, depois de a classe toda chegar a alguns combinados, começaram a mudar de comportamento.”

 

Outro resultado, bem visível, é o que aparece na segunda caixa, que diz “Quero parabenizar…” Nela são colocados registros de atitudes positivas e, nesse caso, pode-se citar o nome dos alunos envolvidos. Segundo as mediadoras, vários nomes, com elogios as suas atitudes, já foram mencionados.

A validade da prática

Partindo das dicas até aqui mencionadas, qualquer escola pode promover assembleias próprias, tanto para resolver certos problemas quanto influenciar na tomada de decisão por parte das crianças que, por sua vez, além de se tornarem mais participativas, aos poucos, também aprenderão a interagir em meio à coletividade.

 

Foto: Reprodução (successforkidswithhearingloss.com)

 

Voltando ao Colégio Santo Américo, apesar das assembleias serem apenas momentos especiais em que os conflitos são trabalhados sem a pretensão de resolvê-los definitivamente, já que isso demanda um longo processo, em algumas situações, as discussões ocorridas já mostraram de forma contundente a validade da prática. Entre outros exemplos significativos, em comum acordo, os mediadores relatam um caso ímpar. “Um grupo estava falando sobre bullying e, de repente, um aluno se levantou e pediu desculpas a outro, dizendo que tinha agido mal”, salientou Lozano, em nome dos demais professores.

 

Adaptado do texto “Conversar resolve”

Revista Guia Prático do Professor – Ensino Fundamental Ed. 122