Os imigrantes no Brasil

Você sabia que as pessoas que entraram em nosso país até 1822, ano da Independência, eram somente colonizadores e, partir daí, aquelas que entraram na nação já independente receberam o nome de imigrantes?

Foto: Itaci Batista | Adaptação web Caroline Svitras

 

O brasileiro se difere da maioria dos povos porque ele não descende de uma raça só, fato que por si explica os diferentes tipos físicos que temos. Também, antes do descobrimento do Brasil, em nosso atual território, já havia várias etnias indígenas, cada qual com sua peculiaridade. Depois, vieram os colonizadores portugueses, que ainda trouxeram africanos que passaram a ser usados como escravos. Com a libertação deles, a falta de mão de obra fez com que governo brasileiro estimulasse a imigração, movimento que envolveu o deslocamento de inúmeras pessoas, de aproximadamente 70 nacionalidades que, por uma série e motivos – incluindo falta de alimentos, de trabalho e até guerras –, adotaram o Brasil como sua segunda pátria.

 

Graças a essa miscelânea de povos, a partir de 1900, já não dá mais para falar do brasileiro sem citar a influência dos estrangeiros que escolheram nossa terra para viver em definitivo. Entre eles, a maioria ainda é formada por portugueses, espanhóis, japoneses, alemães, árabes e judeus. Junto aos demais povos minoritários, que aqui também chegaram, eles constituem nosso país, nossa cultura e nossa história.

 

 

O início da imigração para o Brasil

Com a Independência do Brasil, o sonho de uma vida melhor fez com que várias pessoas embarcassem em uma difícil viagem pelo Atlântico para chegar aqui, em busca de novas oportunidades. Elas foram incentivadas por campanhas do governo brasileiro que, em parceria com proprietários de terra, precisavam substituir a mão de obra dos escravos abolida com a Lei Áurea.

 

Desembarque de imigrantes no Porto de Santos (SP) em 1907 | Foto: Reprodução/oviajantecomilao.blogspot.com

 

A maioria desses imigrantes foi trabalhar nas fazendas de café, em atividades que envolviam desde o plantio, o beneficiamento, a comercialização, o transporte e até a exportação do produto. Consequentemente, muitas cidades brasileiras também tiveram um grande aumento populacional. São Paulo, por exemplo, entre 1850 e 1899, recebeu 64 mil imigrantes, mas, quando chegou na virada do século 20, esse número saltou para 240 mil!

 

 

A chegada dos imigrantes

Normalmente, eles desembarcavam no Porto de Santos, em São Paulo, onde eram recebidos e, em seguida, embarcados em vagões de trem lotados com destino à capital paulista. Já na cidade, eles eram levados para a Hospedaria dos Imigrantes, que foi criada em 1888, no bairro do Brás, local bem próximo ao centro de São Paulo, para recebê-los.

 

Hospedaria dos Imigrantes em 1930 | Foto: Reprodução/Memorial do Imigrante

 

Na hospedaria, ficavam, em média, sete dias, aglomerados em quartos com capacidade para até 100 pessoas. As condições não eram fáceis para ninguém. Mesmo assim, todos os estrangeiros recebiam três refeições diárias e assistência médica. Como nenhum empregador iria contratar uma pessoa debilitada, a preocupação com os imigrantes, embora precária, era grande. Ainda no local, mas nesse mesmo ínterim de tempo, a maioria assinava os primeiros contratos de trabalho, antes de embarcarem novamente em trens com destino às fazendas onde iriam trabalhar.

 

A nova vida no Brasil

No começo da imigração, tudo era difícil para os estrangeiros. Eles já chegavam aqui com muitas dívidas e, como não conseguiam pagá-las, viviam em um sistema de semiescravidão. Entre eles, muitos pediam empréstimos e se viam obrigados a pagar taxas altíssimas de juros. Com o dinheiro, eles compravam ferramentas e também sustentavam a família até receber o primeiro salário, que sempre era baixo. Alguns ainda eram forçados a comprar produtos essenciais em armazéns das próprias fazendas. Tal condição, por vezes contratual, os faziam presos aos seus patrões, mesmo a contragosto. Por conseguinte, muitos começaram a fugir das fazendas, em busca de novas oportunidades nas cidades vizinhas.

 

Mas, nem assim conseguiam a sonhada tranquilidade, porque não havia trabalho regular, moradia e escola para seus filhos. Somava-se a isso a dificuldade de comunicação, as longas distâncias que os separavam dos entes queridos e as diferenças culturais que se tornavam evidentes no dia a dia.

 

Imigrantes em plantação de café | Foto: Reprodução/novomilenio.inf.br

 

Apesar desses empecilhos, a imigração continuou alta durante o início do século 20. Porém, ela começou a diminuir após a década de 1930. Até então, o Brasil já havia recebido portugueses, italianos e até japoneses em massa. Aos poucos, todos foram se integrando à sociedade brasileira que, por sua vez, adquiriu uma característica multiétnica.

 

 

Um novo movimento imigratório

Um novo movimento imigratório ocorreu durante e após a 2ª Guerra Mundial por motivos diversos. Uns fugiam do embate que ocorria em solo europeu, outros queriam trabalhar e não encontravam empregos no Velho Continente que fora destruído pelo grande conflito. Em consequência, eles também tinham um perfil diferente dos primeiros imigrantes, cuja maioria não sabia ler.

 

Ao contrário deles, muitos eram alfabetizados, tinham cursos técnicos e até universitários. Dessa forma, em vez de procurarem os campos para trabalhar, eles preferiram ficar nas cidades, onde começaram a exercer uma série de atividades, principalmente comerciais e de serviços. Os poucos que foram para a agricultura o fizeram porque tinham dinheiro para comprar pequenas porções de terra, onde passaram a trabalhar para si mesmos junto à família.

 

Imigrantes bolivianos ilegais se submetem à exploração em oficinas de costura de grandes cidades brasileiras, principalmente no Sudeste | Foto: Acervo Família Neugebauer

 

 

Outra onda de imigrantes

Em 1994, com a criação do Mercado Comum do Sul (Mercosul), união de livre comércio de cinco países da América do Sul (Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai e Venezuela), novamente a imigração em direção ao Brasil se intensificou, devido às pessoas dos países-membros que resolveram tentar a sorte em solo nacional. Hoje, além de imigrantes portugueses, italianos e japoneses – cujos descendentes formam o maior contingente fora do Japão –, ainda recebemos chilenos, bolivianos, colombianos e haitianos.

 

Os três últimos se assemelham em muito com os primeiros imigrantes do século 20. Eles ainda se submetem a subempregos, pois estão fugindo das péssimas condições de seus próprios países, acreditando que aqui poderão ter uma nova vida. Em São Paulo, por exemplo, os imigrantes bolivianos se empregam em pequenas indústrias de roupas, tanto de compatriotas quanto de imigrantes coreanos, nas quais são submetidos a um sistema rígido de trabalho e péssimas condições de vida. Colombianos cruzam as fronteiras brasileiras ao Norte, principalmente, para fugir do conflito armado que atinge seu próprio país. Já os haitianos começaram a se instalar de maneira precária no Acre e no Amazonas, em virtude das consequências do terremoto que atingiu o país caribenho em janeiro de 2010. Em sua grande maioria, eles esperam o visto para legalizar a situação em solo brasileiro.

 

 

Imigrações recentes

Embora o Brasil não receba mais imigrantes em massa, é possível constatar que houve um razoável crescimento de pessoas vindas da Coreia do Sul, China, África e América Latina. Contudo, elas não exercem o mesmo impacto demográfico das demais imigrações que já ocorreram anteriormente em nosso país.

 

Em 2013, senegaleses que vivem no Sul do país formaram comitiva para cobrar do governo federal a regularização deles no Brasil | Foto: Reprodução/radiocaxias.com.br

 

Além disso, com a crise mundial, o Brasil também recomeçou a receber portugueses, que em 2011 já atingiam quase 329 mil registrados para morar e trabalhar aqui. Somado aos outros imigrantes já citados, desde 2008, o país também passou a ser adentrado por imigrantes ilegais do Senegal, que usam a mesma rota criada pelos haitianos para, depois, deslocarem-se principalmente para o Rio Grande do Sul.

 

 

Atividades sugeridas
Bombonière Neugebauer, propriedade de imigrantes alemães, na Rua da Praia, em Porto Alegre (RS), um verdadeiro sucesso entre as décadas de 1950 e 1970 | Foto: Acervo Família Neugebauer

• Questione a origem de cada aluno. Caso não saibam, oriente-os a conversar com os pais, na tentativa de conhecer seus antepassados e os motivos que os fizeram vir para o Brasil.
• Com a ajuda de um mapa ou atlas, faça com que cada aluno marque tanto o local que foi deixado por seus antepassados quanto os locais onde eles se fixaram em solo brasileiro.
• Fale sobre as atividades desenvolvidas pelos imigrantes e, então, peça para a criançada pesquisar a contribuição dada por seus antepassados ao desenvolvimento do Brasil.
• Traçado um perfil da maioria dos antepassados dos alunos, convide-os a compor um painel sobre:

  1. As principais causas da imigração dos diversos povos que passaram a integrar nossa pátria (falta de trabalho, superpovoação, guerras etc.);
  2. Os locais que os imigrantes fixaram residência, a partir das semelhanças entre os aspectos geográficos da região escolhida e a dos países de onde vieram (como italianos e alemães no Sul; portugueses e italianos em São Paulo e Rio de Janeiro etc.), com o objetivo de fazê-los refletir sobre a importância da adaptação ao meio ambiente (em relação ao clima, produção de alimentos etc.);
  3. Os processos de trabalho que conheciam e aos quais se submeteram ao chegar aqui (como o dos japoneses que já se dedicavam à agricultura e continuaram a fazer o mesmo no Brasil).
  4. Os aspectos culturais trazidos por imigrantes e que já foram incorporados pelos brasileiros como parte da sua cultura (por exemplo, italianos adoram massa, alimento que já faz parte da refeição dos brasileiros, independentemente se são descendentes ou não deles).

• Na sequência, peça que relacionem receitas, danças típicas, canções, lendas e histórias de seus antepassados para, em seguida, fazerem uma seleção do que é mais significativo para cada grupo étnico que imigrou para o Brasil.
• Por último, com base nos painéis elaborados e nas pesquisas realizadas, incentive-os a promover um evento cultural, de preferência para integrar escola e comunidade, no Dia do Imigrante que, por sua vez, é comemorado em 25 de junho.

 

 

Adaptado do texto “Eles construíram o Brasil!”

Revista Guia Prático do Professor – Ensino Fundamental Ed. 117