A prática da Educação Musical

Ela é essencial na sociedade e já se faz notória em diferentes modalidades de ensino e até em ambientes domésticos com professores autônomos

Por Fabio Perucci* | Foto: Itaci Batista | Adaptação web Caroline Svitras

 

A Educação Musical se tornou abrangente, mas isso não significa que ela está sendo amplamente reconhecida e valorizada pela sociedade como linguagem e arte para a transformação social. Em seus diferentes universos, os conceitos e abordagens de ensino são distintos e, por consequência, almejam formar ou aperfeiçoar músicos com perfis muito específicos. Já as modalidades de ensino e os profissionais envolvidos na Educação Musical definem suas práticas por meio de projetos e planejamentos regulares, que apontam e norteiam as didáticas mais favoráveis ao processo de aprendizagem, bem como os mecanismos mais adequados de seleção de conteúdos e formas de avaliação. Essa dinâmica é imprescindível, pois pautar as práticas pedagógicas em referenciais teóricos, tendo como mecanismos de organização os programas e projetos, demonstra seriedade e compromisso com a Educação.

 

Mas, valorizar a música também significa desvendar habilidades ocultas, incentivar a arte (se pensarmos em música como atividade artística), contribuir para o bem-estar individual e coletivo, sustentar e fomentar as atividades culturais, e estruturar e profissionalizar aqueles que desejam seguir carreira. Portanto, valorizar e incentivar a Educação Musical em diferentes sistemas de ensino é de suprema importância.

 

Assim sendo, implantar uma adequada e coerente Educação Musical nas escolas é defender a presença de uma linguagem com poder em sua expressão, ou seja, capaz de amenizar conflitos sociais, aproximar pessoas de diferentes culturas, convocar novas visões de mundo e realidade e até profissionalizar. Também é importante frisar que a presença da música em instituições de ensino não está estritamente condicionada à aprendizagem de instrumentos musicais, já que seriam necessárias salas compatíveis e estruturadas para essa finalidade, além de profissionais especialistas. Porém, nada impede o incentivo dessa ação em escolas e realidades melhores preparadas. Contudo, o mais importante da Educação Musical está na discussão da música enquanto linguagem, essência, ferramenta de cidadania e atividade transformadora.

 

 

Por isso, é preciso apresentar aos discentes os variados repertórios musicais que os cerca, explicar as origens, bem como estudar os impactos da música na sociedade moderna ou pós-moderna, além de fazê-los entender, minimamente, a linguagem e a simbologia musical para que, no futuro, caso se sintam interessados, possam se aprofundar e até se profissionalizar.

 

Nesse contexto, a aprendizagem da música nas escolas contempla o enriquecimento de uma visão de mundo e a compreensão da forte influência que ela exerce no nosso dia adia. Uma vez que a temos como linguagem e uma linguagem transformadora (que a sociedade passou a amar e não vive sem), porque não estudá-la com mais propriedade e responsabilidade desde cedo? Por que apenas estudar música nos conservatórios e correlatos, já que, assim, como a Sociologia e Psicologia, ela também permite reflexões de comportamentos e interesses sociais? A escola é um dos ambientes mais apropriados para essa prática!

 

Vamos brincar de quente ou frio musical?

Com essa sugestão, dá para trabalhar as diferentes intensidades aplicadas ao som; estimular a audição e a coordenação motora da criançada; e ainda incentivar a socialização. Para tanto, é preciso dispor de flauta doce ou de instrumentos musicais de sucatas, como pandeiros, tambores, ou tamborins – como o que segue em passos detalhados para que cada aluno possa elaborar o seu.

 

Depois, basta colocar as crianças sentadas em roda ou espalhadas pela sala de aula e, em seguida, escolher uma delas para encontrar um objeto previamente definido e ocultado pelos coleguinhas. Enquanto a eleita o procura, os demais a ajudarão, imprimindo maior ou menor intensidade (mais ou menos força) aos instrumentos – se todos tiverem o seu – ou às palmas, conforme ela se aproxima ou se distancia dele.

* Fabio Perucci  é pós-graduado em Educação Musical Novas Metodologias; graduado em Educação Musical e em História e Turismo; e, Conservatório Musical.

Revista Guia Prático do Professor – Ensino Fundamental Ed. 111