Tradições das festas juninas

Além da montagem de arraiais e preparação tanto dos comes e bebes quanto das vestimentas, as comemorações de junho devem ser embasadas na história

Da Redação | Foto: Reprodução/telelistas.net | Adaptação web Caroline Svitras

As tradicionais festas juninas do Brasil são um exemplo da diversidade cultural, tanto que surgiram bem antes dos famosos santos celebrados na atualidade. Na verdade, tais festas tiveram sua origem no paganismo, época em que os antigos celebravam, em 24 de junho (atual Dia de São João), o solstício de verão (no hemisfério Norte) e o de inverno (no hemisfério Sul), em torno de uma grande fogueira que queimava até o dia seguinte. Eles acreditavam que nesse ínterim de tempo, seus deuses ficavam mais fortes e, assim, estariam mais aptos a ajudar a nova estação que, por sua vez, determinava a renovação da vida.

 

Festas juninas

 

Com a expansão do cristianismo, já durante a Idade Média, a festa pagã foi renomeada e incorporada pela Igreja Católica, que não conseguia eliminar os costumes do povo e para conquistá-lo optou pela apropriação das antigas tradições em um processo chamado de sincretismo religioso.

 

A partir daí, surgiu uma lenda bastante propagada na Europa, que dizia que o costume de acender fogueiras no começo do verão originou-se em virtude de um acordo entre as primas Isabel e Maria. Como Isabel estava grávida de São João Batista e na naquela época era muito difícil se comunicar, ela se comprometeu em acender uma grande fogueira no momento do nascimento do menino, para que Maria viesse ajudá-la. Desde então, as fogueiras começaram a fazer parte das festas juninas europeias.

 

Foto: Reprodução/pontodevistaonline.com.br

 

Bem depois, quando os portugueses colonizaram nossas terras, eles trouxeram seus costumes para cá. Mas como a maioria deles era de origem camponesa, as vestimentas rústicas que usavam no dia a dia adquiriram uma tipicidade única no contexto festivo e chegaram até os dias de hoje. Logo em seguida, quando os espanhóis e franceses também vieram para o Brasil, cada um deles trouxe um pouco da tradição joanina de sua terra, o que acabou resultando em uma mistura de culturas que tornou as comemorações atuais em uma festa totalmente diferente daquela que existia e ainda existe na Europa.

 

Vamos preparar as festas juninas

 

Da França, por exemplo, veio a dança marcada dos nobres, que influenciou a composição coreográfica e a formação das típicas quadrilhas. Os povos da Península Ibérica trouxeram a dança das fitas e os portugueses introduziram o casamento fictício que foi agregado à quadrilha. Além disso, juntos, eles também passaram a empregar os fogos de artifícios e os balões – hoje proibidos devido aos riscos de incêndio que propiciam – que ganhavam os ares. Ambos foram trazidos diretamente da China para a Europa e, logo depois do sucesso que fizeram por tanto lá também aportaram em solo brasileiro.

 

Foto: Reprodução/bisbilhotecarias.blogspot.com

 

Outro detalhe importante dessa apropriação cultural é a culinária tradicional, que tem como base o milho que, graças a uma manipulação especial, resulta em pamonha, canjica, cuscuz, curau, bolo de milho, pipoca etc. A escolha desse alimento não é ao acaso, pois em junho, se dá a maior colheita de milho do ano! Contudo, devido ao grande número de imigrantes que foram chegando aqui, aos poucos, os pratos também se tornaram mais variados. Dependendo da região onde ocorre a festa, dá para saborear churrasco, arroz doce, cocada, pinhão, pé-de-moleque, paçoca de carne seca etc. Consequentemente, todas as festas juninas atuais ainda mantêm suas raízes, mas variam bastante de região para região.

 

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