As doenças de inverno

Na época mais fria do ano, por estarem mais expostas a uma série de condições diferenciadas, as crianças podem contrair várias doenças sazonais

Da Redação | Foto: Reprodução/storify.com | Adaptação web Caroline Svitras

Com a chegada do inverno, muitas pessoas, inclusive as crianças, passam a sofrer com as oscilações climáticas, pois o tempo seco e a baixa umidade relativa do ar contribuem para a alta concentração de poluentes na atmosfera e, em consequência, o aparelho respiratório da maioria se torna mais sensível e sujeito a alergias que se manifestam principalmente nesse período do ano, devido à redução dos mecanismos de defesa do próprio corpo.

 

Além disso, para se proteger do frio, as pessoas também mudam seus hábitos de vida. Como elas passam mais tempo em ambientes internos e, por vezes, expostas ao ar-condicionado, basta ter alguém contaminado, que a transmissão dos vírus ou das bactérias que causam infecções do trato respiratório se eleva bastante e doenças como gripe, resfriado, amidalite, entre tantas outras, multiplicam-se. Contudo, é possível garantir o bem-estar das crianças com medidas simples, que devem começar a ser tomadas a partir da casa de cada uma. Por isso, antes das férias, durante a última reunião com os pais, alerte-os sobre algumas atitudes que podem prevenir certas doenças, pois vírus e bactérias não distinguem indivíduos nem faixa etária.

 

Infecções nas crianças

Apesar de cada organismo reagir de um modo diferente em relação ao clima frio, a temperatura interna do corpo humano, normalmente, é de 37 graus. Como no inverno ocorre a vasoconstrição, responsável por manter o corpo aquecido, devido à respiração, o organismo acaba perdendo muita água e calor. Diante dessa situação, quando as vias respiratórias são atingidas por um ar mais seco e frio, há uma piora do sistema respiratório, que reduz a produção de muco eliminado pelas glândulas das vias aéreas, no qual existem enzimas e anticorpos protetores. Consequentemente, o transporte do muco das vias aéreas inferiores para as superiores também fica comprometido, o que faz com que as doenças respiratórias se proliferem com maior facilidade.

 

Considerando ainda que, na infância, o mecanismo de defesa do corpo das crianças está em desenvolvimento, tanto o resfriado quanto a gripe lideram as patologias mais incidentes. No entanto, não dá para destacar casos de asma, amidalite, otite, bronquiolite, laringite, sinusite e bronquite, que sempre pioram quando associados aos quadros de resfriados ou gripes. Portanto, para quem quer proteger os filhos dos vírus e bactérias, a melhor opção ainda é manter os ambientes arejados – pois os transmissores ficam concentrados em ambientes fechados –, fazê-los beber bastante líquido para manter a hidratação ideal do corpo e controlar a umidade relativa do ar acima de 50%. No entanto, se as doenças começam a se tornar repetitivas, após uma visita ao médico, diagnóstico adequado e tratamento, mesmo contra a vontade deles, caso seja indicado, é fundamental vaciná-los para prevenir infecções respiratórias, como a gripe, o vírus influenza e a pneumococo. Além desses cuidados, se a criança já está contaminada, é preferível mantê-la no conforto do lar, onde poderá receber uma alimentação balanceada, composta por sopas e caldos ricos em verduras e legumes, chás tradicionais, frutas e sucos que contenham vitamina C. Porém, frise que, na escola, essa mesma criança só irá contaminar os coleguinhas, pois o vírus da gripe é adquirido pelo ar. Após tal aconselhamento, evidencie a diferença existente entre a gripe e o resfriado, doenças bem diferentes, mas que, normalmente, são confundidas pela população.

 

Gripe x resfriado

Altamente contagiosa, a gripe é uma infecção causada pelos vírus influenza. Como micro-organismos que mudam de características biológicas constantemente, eles dificultam a tomada do processo imunitário pelo organismo. Sua transmissão direta ocorre pelo ar, quando infectados, falam, espirram e tossem. Indiretamente, a gripe também pode ser transmitida pelas mãos e por objetos contaminados– daí a necessidade de ensinar a criança a higienizar corretamente as mãos e a usar álcool gel para desinfetá-las. Entre seus sintomas, destacam-se dores musculares, dores de cabeça, febre alta, calafrios, fraqueza, tosse seca, espirros e coriza que, por indicação médica, são tratados com medicamentos antivirais que combatem o agente transmissor, controlam a febre e as dores e ainda agem como descongestionantes e antitussígenos, ao combaterem a tosse e favorecerem a expectoração. Por vezes, a vacina também é prescrita.

 

Já o resfriado, apesar dos sintomas semelhantes, é causado por outro tipo de vírus. Como suas consequências são bem mais leves, quando o organismo da criança está bem, seu sistema imunológico consegue combatê-lo naturalmente. Por isso, além de não existir uma vacina para a doença, os medicamentos receitados por um profissional adequado costumam apenas aliviar os sintomas apresentados.

 

Revista Guia Prático do Professor – Ensino Fundamental Ed. 118