A ludicidade nos processos do aprendente e ensinante

Como já dizia Ayrton Senna, “se quisermos modificar alguma coisa é pelas crianças que devemos começar”

Por Etiane Abreu* | Foto: Itaci Batista | Adaptação web Caroline Svitras

O tricampeão mundial de Fórmula 1, morto em maio de 1994, tinha e continua tendo razão. Como educadora, especialista em gestão educacional e psicopedagoga, sinto muita tristeza ao observar a ausência da ludicidade e da arte, de um modo geral, em muitas escolas, tanto que também é notória a pouca ou nenhuma produção da própria criança nesses espaços. Por outro lado, é comum encontrarmos a presença de desenhos impressos para que os alunos possam pintar, recortar, decorar etc. Tal recurso pode facilitar a vida do professor, mas tira a oportunidade da criação das mãos dos alunos. Então, pergunto: não seria mais interessante permitir a eles a construção de suas próprias produções?

 

As mudanças de estratégias de ensino podem contribuir para que todos aprendam. Em alguns casos, é sabido que as táticas de ensino não estão de acordo com a realidade do aluno. Mas a prática do professorem sala de aula pode e deve ser decisiva no processo de desenvolvimento dos educandos. Por isso, o professor sempre precisa rever a metodologia utilizada para ensinar as crianças.

 

Há vários métodos ou atividades que podem ajudá-lo a detectar, por exemplo, quem realmente está com dificuldade de aprendizagem e, assim, evitar rótulos, muitas vezes, colocados erroneamente, que prejudicam a criança, trazendo-lhe várias consequências, como a baixa estima e até mesmo o abandono escolar.

 

Ao planejar suas aulas, o professor deve, sobretudo, levar em consideração que, por meio da brincadeira, o aluno constrói seu aprendizado. Logo, o sucesso das instituições de ensino, como bem da aprendizagem, pode se dar com a utilização do brincar tanto direcionado, com um objetivo pedagógico mais preciso, quanto livremente.

 

Opinião de um mestre
Foto: Divulgação

O que explano tem como base os conceitos de Henry Wallon (1879 – 1962). Graduado em medicina, estudou filosofia, psiquiatria e psicologia. Depois, voltou-se para a Educação e fez-se pedagogo para estudar minuciosamente as crianças. Suas constatações lhe permitiram dizer que elas, no ato de brincar, reproduzem aquilo que veem, que sentem ou que ouvem em determinado tempo ou lugar. Portanto, como Wallon explica, temos que reconhecer que o ato de brincar está relacionado a prazeres e desprazeres entre os quais os alunos explicitam seus conflitos. Foi por isso que, ao romper com os métodos tradicionais, ele também propôs a humanização da sala de aula, onde deveria haver mais afetividade, emoção e movimento.

 

Ainda segundo o que ele defendia, as disciplinas não deveriam se limitar aos conteúdos, mas ajudar o aluno em novas descobertas, que poderiam envolver tanto o meio quanto o outro, pois a criança que aprende brincando também aprende com mais emoção e prazer.

 

Questionamentos tradicionais
Foto: Divulgação

Eles sempre recaem em como devemos ensinar nossas crianças (e até adultos) ainda não alfabetizadas. Qual a melhor maneira para que possamos, como educadores, alcançar o sucesso no ensino-aprendizagem da língua escrita?

 

Difícil responder, porém, ao falarmos da alfabetização, temos que colocar no centro das atenções as metodologias ou os próprios professores que têm em suas mãos a possibilidade de fazer com que a criança se aproprie do conhecimento da leitura e da escrita. Por conseguinte, temos que lembrar que a vontade de ensinar e aprender aliada à ludicidade e à amorosidade são fatores fundamentais para o sucesso do aprendizado do aprendente e do ensinante em classes escolares do Ensino Fundamental (mas não só nelas).

 

Nesse contexto, por meio da ludicidade e da arte, afirmo que cabe ao professor a tarefa de facilitar, desafiar e mediar todo o processo para melhorar o desenvolvimento de seus alunos!

 

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*Etiane Abreu é coordenadora pedagógica da Prefeitura Municipal de Euclides da Cunha, município brasileiro do Estado da Bahia.

Adaptado do texto “