Contação e recontação de histórias com o uso do flanelógrafo

Se a contação de histórias é um dos meios mais antigos de interação humana, consequentemente, a recontação também é importante para o desenvolvimento da comunicação e da expressão

Por Luciano Narciso Mendes* e Morgana Gomes | Foto: Itaci Batista | Adaptação web Caroline Svitras

Já sabemos que, desde os primórdios da humanidade, a contação de histórias tem a capacidade de transmitir valores e conhecimentos, estimular a imaginação e a fantasia, disciplinar a atenção e a concentração e ainda desenvolver o interesse pela leitura entre os ouvintes. Quando seu público é infantil, ela ainda contribui para formação, enquanto auxilia na reflexão de temas diversos. Mas se, após uma sessão de contação de histórias, também for exigida a recontação – principalmente nas séries iniciais –, fica bem mais fácil fortalecer, de uma forma quase que natural, a comunicação, a expressão e o poder de interpretação das crianças.

 

Só que, para obter sucesso nesse processo, faz-se essencial romper a barreira da timidez entre os alunos. Caso contrário, se é pedida a recontação, enquanto muitos se retraem e perdem a habilidade de falar na frente das demais, outros começam a ”bagunçar”, devido à incapacidade de articular os próprios pensamentos. Apesar de tais situações, na maioria das vezes, a história é compreendida e assimilada, a ponto de ser recontada em um ambiente mais informal – que também pode ser criado em sala de aula.

 

A informalidade e a atividade

Para possibilitar a descontração infantil, uma boa dica é introduzir o flanelógrafo na sessão de contação de histórias. No dias de hoje, o objeto é desconhecido por muitos professores, mas como ferramenta pedagógica, ele surgiu em meados da década de 1960, período que priorizava o sistema de ensino tecnicista, no qual o aluno era preparado para uma função específica. Porém, conforme explica a professora Maria Luiza Oswald da PUC-Rio, após os anos de 1980, seu emprego caiu em desuso. Somente alguns ministérios ligados às igrejas, sobretudo evangélicas, continuaram usando a peça em suas aulas de religião (foto). No entanto, vale a pena reproduzi-lo, pois sua utilização dinamiza as sessões de contação, principalmente por provocar a interação entre as crianças.

 

Conheça o flanelógrafo
Foto: Divulgação

A ferramenta é composta por um pedaço retangular de madeira leve, papel cartão, papelão, isopor ou qualquer outro material que forneça uma base firme de sustentação para as imagens. A dimensão dele pode ser determinada pelo professor de acordo com o número de crianças. Se for pequeno, poderá ser usado em uma roda de contação, na qual será passado de mão em a mão. Caso seja grande, exigirá um suporte, como um cavalete, por exemplo.

 

De qualquer forma, o complemento principal, tanto para o flanelógrafo quanto para a sessão de contação em si, será as flanelogravuras (imagens preparadas para fixação), que também serão usadas pelos alunos na recontação. Porém, lembre-se que, a sequência de imagens representativas da história deve ser confeccionada em cores que contrastam com o fundo da peça, para chamar a atenção e aumentar o poder de concentração infantil durante atividade.

 

A dinamização do processo

Com o flanelógrafo, o professor trabalha a narrativa, a partir de uma sequência de imagens associada à linguagem verbal. Dessa forma, as crianças acompanham a história e os fatos desencadeados pelos personagens com mais atenção, porque as figuras ficam ”soltas” e se movimentam pelo quadro. Portanto, se a contação se torna mais animada, a recontação também adquire mais descontração, principalmente, devido ao manuseio das flanelogravuras que, além de ilustrar a interpretação, faz com que os alunos se tornem mais seguros para se expressarem diante dos demais.

 

Por isso, durante a atividade, também é normal que haja discussões e interferências, em virtude da maior interação que ocorre entre as crianças que, aos poucos, rompem a timidez e aprendem a opinar diante de uma situação com a qual não concordam. Em decorrência, o poder de comunicação, expressão e interpretação de todas também aumentam – tanto de forma individual quanto coletiva. Em um segundo momento, ainda dá para estimular os alunos a criarem suas próprias histórias e a produzirem os personagens necessários a elas, em um exercício de imaginação conjunta.

 

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*Graduado em Pedagogia e Letras e Pós-Graduado em Docência Superior

Adaptado do texto “Contação e recontação de histórias com o uso do flanelógrafo”