Transtorno Opositivo-Desafiador

Quem nunca se deparou com crianças extremamente opositivas, desafiadoras, que discutem por qualquer coisa, que desobedecem as ordens, questionam tudo e ainda se mostram autoritárias?

Da Redação | Foto: tynker.com | Adaptação web Caroline Svitras

Talvez você ainda não conheça o Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD) e, por isso, ainda encare certos alunos que insistem em manter uma postura hostil como mimados e mal-educados. Mas após conversar com os responsáveis, caso sinta que tal condição extrapola o ambiente escolar, devido às próprias reclamações apresentadas por eles, peça ajuda ao psicopedagogo da escola para avaliar se a criança é ou não portadora do TOD. Embora não possa fazer um diagnóstico preciso, ele é o único capaz de detectar evidências do transtorno, convocar e aconselhar os pais a procurar um profissional adequado (entre os quais neuropediatras, neuropsiquiatras, psicoterapeutas comportamentais ou psiquiatras infantis) e ainda explicar que o problema, que se manifesta durante a infância e atinge de 2% a 16% de alunos de 6 a 12 anos, quando não tratado traz várias consequências nefastas para o portador.

Características do TOD

Na infância, crianças com o transtorno apresentam baixo rendimento escolar, problemas de aprendizagem e aumento, tanto de agressividade quanto de transgressão às regras. Tal quadro também provoca dificuldades de avaliação para elas mesmas, que não conseguem analisar regras nem as opiniões alheias, são intolerantes com as frustrações, possuem reações intempestivas e sempre demonstram total falta de diplomacia ou de controle emocional, até mesmo quando a lógica mostra que suas opções estão extremamente equivocadas. Por conseguinte, essas mesmas crianças costumam ser discriminadas, perdem oportunidades, desfazem círculos de amizades, sofrem bullying, são excluídas de eventos sociais dos colegas e das programações da escola, sob a alegação de comportamento difícil. Ao mesmo tempo, elas provocam distúrbios com o professor e com os pais que, por sua vez, até evitam sair ou passear com elas, devido aos acessos de raiva e sentimentos de vingança que se mostram intensos.

 

 

Pouco depois, já no início da adolescência, esse quadro ainda tende a evoluir para o chamado transtorno de conduta, que pode levar ao abuso de bebidas e drogas, sempre acompanhado de comportamento antissocial, o que causa sensação de desprezo pelos demais, desunião familiar e, por vezes, até depressão no portador do transtorno ou na própria família dele. No entanto, quando o problema é tratado de forma adequada, aproximadamente 65% das crianças deixam de apresentar as características do TOD.

 

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O papel da escola e dos pais

Normalmente nem a família nem as escolas sabem quais medidas tomar diante de uma criança com essas características. Mas, se diagnosticado o transtorno, além de tratamento médico adequado, é essencial que se estabeleça uma comunicação constante entre pais, profissionais da saúde e educadores, na tentativa de ajudar o portador.

 

No caso da escola, por exemplo, é imprescindível que os professores acompanhem e informem os responsáveis sobre o comportamento da criança, preferencialmente descrevendo detalhes do convívio com os coleguinhas, as submissões às ordens, a execução de tarefas, as dificuldades e as superações. Em paralelo, eles ainda devem induzir o aluno a trabalhar em equipe, demonstrar cooperação, ter dinamismo, praticar esportes e outras atividades que exijam disciplina.

 

Já no que se refere ao ambiente doméstico, caso ele seja conturbado, com pais divergentes quanto ao modo de educar, conduzir ou estabelecer parâmetros para o filho, caberá ao profissional da área de saúde direcionar as medidas psicoeducativas, no intento de impedir que os fatores genéticos e neurofisiológicos do problema se desenvolvam ainda mais.

 

Hiperativa ou mal-educada?

 

Logo, também se faz necessário orientar os responsáveis a manter conversas respeitosas para servir de exemplo, evitar atitudes violentas e agressivas, fortalecer a autoestima do filho e ainda elogiar tanto as boas ações quanto a superação dele diante de problemas. Convém também salientar que críticas, comparações, desaprovamentos constantes, repressões verbais e até físicas apenas criam mais revolta na criança que, aos poucos, torna-se incontrolável, momento em que a maioria dos pais começa indevidamente a buscar por psicotrópicos para acalmá-la.

 

De qualquer forma, em ambos os ambientes, o principal recurso a ser usado é sempre o diálogo. No caso de advertências, por exemplo, elas devem ser feitas com sabedoria, calma e muita paciência, para obter o que se quer da criança que, por sua vez, deve entender que existem regras e também o que é desejado dela, principalmente no meio social que lhe é intrínseco.

 

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