Uso pedagógico do celular

Se toda criança tem seu aparelho e a maioria deles tem câmera fotográfica, por que não tirar proveito desse recurso para desenvolver a criatividade e a escrita infantil?

Da Redação | Foto: Itaci Batista | Adaptação web Caroline Svitras

Como tudo que é proibido é tentador demais, restringir o uso do celular na escola somente instiga a vontade dos alunos de utilizá-lo nos momentos mais inadequados. Mas dá para contornar essa situação, propondo o uso pedagógico do aparelho em ocasiões específicas, tanto para estimular a criatividade infantil quanto desenvolver a escrita em vários estilos de textos.

 

No Colégio Almeida Santos (que fica na Rua Bartolomeu dos Santos, 219, Chácara Santana, em São Paulo/SP), por exemplo, além do conteúdo curricular estipulado na grade, há várias aulas nas quais as crianças se reúnem na quadra para fotografar situações idealizadas ou do dia a dia que, depois, ganham um toque de criatividade e uma descrição de acordo com a série em que estão.

 

Segundo Márcia Almeida Santos, diretora da instituição, é proposto um tema e os alunos se dirigem para a quadra, onde, em grupo ou individualmente, simulam uma situação condizente. “Aqui entra a capacidade criadora, pois eles têm que traduzir com o corpo e com a expressão uma vivência imaginária para o colega fotografar”, explica a diretora.

 

Após todos terem encenado o desejado, a imagem obtida é impressa e entregue aos respectivos alunos que, por sua vez, terão que recortá-la e colá-la sobre uma folha A2, A3, cartolina, entre outros papéis, para depois complementá-la com um cenário ideal. Feito isso, todos ainda terão que descrever com palavras o vivenciado, como que se realmente tivessem passado por toda a situação imaginada, em um exercício conjunto de criatividade e escrita. Proposta para o desenvolvimento da atividade:

  • Divida a turminha em grupos de 10 alunos.
  • Depois, peça para que o grupo se subdivida em duplas.
  • Explique que, um a um, levará os grupos para a quadra da escola (ou outro espaço amplo), onde terão meia hora para compor e fotografar uma situação imaginada, de acordo com um tema pré-estabelecido:

a) O que costumo fazer nos fins de semana;
b) O esporte radical que gostaria de praticar;
c) A profissão que pretendo adotar;
d) Como chego à escola todos os dias etc.

  • Feitas as fotos, peça que imprimam e tragam para a aula em determinado dia.
  • No dia marcado, faça-os recortar a própria silhueta. Enquanto eles fazem isso, distribua papéis diversos, cola branca, giz cera, canetas hidrográficas e lápis de cor.
  • Explique que, eles devem colar a silhueta sobre o papel escolhido e, em seguida, desenhar e colorir um cenário adequado para ela, conforme o tema dado.
  • Depois, dependendo da série da criançada e o aprendizado assimilado, peça a descrição da imagem, momento em que terão que utilizar diversos gêneros de textos. Observe esses exemplos:

 

Narração

A ação vivenciada deve ser descrita em uma sequência lógica que, além do título, deve incluir a participação dos colegas, a indicação de tempo e do espaço, os conflitos que existiram durante a execução da atividade, um clímax e um desfecho.

Bilhete

Nele, a criançada escreverá uma mensagem breve para comunicar alguém sobre um feito. Contudo, o bilhete deve conter destinatário, mensagem, nome legível do emissor e data.

Poesia

A criança deverá brincar com a sonoridade das palavras para descrever sua participação na atividade imaginária. Para inspirá-las, leia uma poesia referente ao tema trabalhado. A que segue, por exemplo, é de Cecília Meireles e fala sobre pescaria:

 

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Adaptado do texto “Uso pedagógico do celular”