Viajando nas palavras

Conheça o projeto que vem sendo desenvolvido no Colégio Da Vinci, na cidade de Limeira, estado de São Paulo, pela Contadora de Histórias e Professora Rita Camargo

Da Redação | Adaptação web Caroline Svitras

No decorrer do ano letivo, a professora Rita Camargo sempre trabalha os valores educacionais por meio da Arte de Contar Histórias que, por sua vez, tem a responsabilidade de pintar as palavras no imaginário infantil, bem como fomentar o hábito da boa leitura no dia a dia das crianças. Dessa forma, os alunos do primeiro ano já são levados ao mundo do encantamento, pois as histórias alimentam a fantasia e a criatividade de forma diferenciada, desde que conduzidas conforme o crescimento intelectual de cada criança. No caso da professora, ela trabalha por meio da Pedagogia de Projetos, idealizada pela Universidade Estadual Paulista (UNESP), para conduzir os futuros leitores mirins à leitura de imagem, ao ateliê de criação de histórias, ao senso crítico, à exploração das narrativas, à troca de informações com o colega de classe, à alfabetização e até para aprender a ouvir.

 

“Lembrando que, na maioria das vezes, os alunos vieram da Educação Infantil e alguns já trouxeram de casa bagagens na audição de histórias, visualização de ilustrações, vivências e outras competências, mesmo não estando alfabetizados, sempre parto desses pressupostos para trabalhar as competências literárias, para explorar o refinamento individual, a leitura como busca de sentido, a ampliação do vocabulário e a produção de texto, a fim de obter um leitor ativo”, explica Camargo.

 

Complementando, a professora ainda diz que é impossível embasar os textos somente em uma sequência verbal, pois é preciso valorizar a literatura para as crianças, principalmente porque o processo do leitor com a obra é vivo, o que cria uma interação constante entre emoções, sensações, identificação e pensamentos.

 

Tal posição está em acordo com a proposta dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), que ditam que a leitura deve ser “[…] um processo no qual o leitor realiza um trabalho ativo de construção do significado do texto […], uma atividade que implica, necessariamente, em compreensão na qual os sentidos começam a ser constituídos antes da leitura propriamente dita”. (Brasil, PCN, 2001, II: 53).

 

 

Consequentemente, os alunos do 1º ano, primeiramente, devem ser introduzidos em um ambiente estimulador lúdico para, depois, serem inseridos no processo alfabetizador. Esse objetivo foi alcançado no Colégio Da Vinci, porque, junto às crianças, Camargo construiu a Gibiteca, que condiz com a fase em que os alunos identificam-se mais com os gibis, pois a leitura deles é mais simples, devido às imagens contínuas que despertam o interesse infantil, inclusive para a montagem de projetos.

 

Ferramentas do projeto

Segundo a professora, para implantar algo semelhante, o interessante é começar com a disposição do ambiente. “Coloquei um tapete, o de letras mágicas, estendido em um canto da sala, junto ao acervo de livros dirigidos à alfabetização, os exemplares da Gibiteca e os fantoches, para os alunos terem acesso diariamente a todos eles”, ressalta Camargo.

 

Depois, ela aconselha a formação das rodas de leitura, para propiciar trocas de informação referente ao livro. Nesse momento, cada aluno pode indicar a um amigo o livro que acabou de ler. Quando bem trabalhada, essa atividade deixa um gostinho de quero mais, pois, mesmo que a criança não sabia contar o desfecho da história, em conjunto, elas podem realizar a leitura de forma agradável e descrever uma particularidade sobre o livro, utilizando, inclusive, os fantoches que devem estar sempre à disposição delas, para que possam fazer a interpretação pessoal, o que também ajuda a minimizar a inibição infantil.

 

 

“Durante meu trabalho, usei o avental alfabético como recurso auxiliar que, a princípio, priorizou a imagem. Mas, a partir da fase que os alunos começaram a entender os códigos de leitura e escrita, ele ganhou novas formas de utilização. Em paralelo, ainda desenvolvi uma ficha de leitura diferenciada para eles, para que pudessem escrever sobre o livro do qual estavam percorrendo o mundo inesgotável de possibilidades. Embora as escritas apontassem para a não empregabilidade do uso convencional do código alfabético devido à faixa etária da própria turma, elas ajudaram no pressuposto para alfabetização, principalmente, porque me coloquei como escriba das crianças”, explica Camargo.

 

Desenvolvimento

Em meio a esse processo, até as famílias dos alunos foram envolvidas no projeto, para que, juntas ao colégio, pudessem interagir no intento de alcançar os mesmos objetivos de desenvolvimento pleno e global do educando. Para tanto, foi confeccionada uma mochila de feltro, com duas aberturas internas, uma para colocar o livro e outra para um caderno de anotações, fantoches ou outros objetos, como personagens elaborados com material reciclado, que ajudassem o leitor na construção da história. Além disso, ela também acondicionava rostos de meninas e meninos, também de feltro, pois, nessa faixa etária, o brinquedo e o brincar ainda são primordiais.

 

“Apresentei a mochila, de início, aos alunos em nossa roda de histórias, bem como os rostos de feltros, que foram nomeados pelas crianças, os livros, os fantoches e o caderno de registros. E, em seguida, para os pais, momento em que expliquei como deveriam se dar os procedimentos durante a permanência de todo o material na casa de cada um deles. Disse ainda que o caderno de anotações recebeu o nome de Diário de Bordo e que nele também havia instruções para os responsáveis e para os alunos seguirem a caminhada ao Mundo das Palavras que Encantam, universo que proporciona uma nova realidade para as crianças, que também receberam orientação de como cuidar adequadamente do livro, o nosso portador textual”, salienta a professora.

 

“Eu amo a Margarida”

 

A partir daí, mediante o conteúdo disciplinar do primeiro ano, Camargo também começou a trabalhar a identificação pessoal de cada aluno, com a ajuda do registro de nascimento deles. Segundo o que nos relatou, nessa etapa, um dos alunos propôs a criação de uma mascote de leitura com certidão de nascimento. Revelou-se, então, a importância de um nome para a mochila, que foi escolhido por meio de votação. Desde então, ela passou a ser chamada de Passaporte de Aventuras e ainda ganhou uma certidão de nascimento, que foi anexada nas páginas iniciais do Diário de Bordo. Ao mesmo tempo, cada criança ainda recebeu uma ficha bibliográfica, elaborada pela professora, para anotações dos livros que seriam trabalhados no processo de Alfabetização com Histórias, na Formação do Leitor Mirim e na ação deles como multiplicadores da leitura. Se não bastasse, o projeto ainda foi visitado pela Fada das Letras, mas como sua presença não poderia ser constante, ela enviou uma carta os educandos, que também foi anexada no Diário de Bordo.

 

No caso do Colégio Da Vinci, o primeiro livro da lista a ser trabalho foi O Ratinho que adorava livros. Se, por um lado, a história ganhou vida com personagens e cenários confeccionados em E.V.A., que foram manipulados pelos alunos, por outro, a escolha do título foi bastante sugestiva para aumentar os estímulos da criançada, pois o livro aborda não só a alfabetização, mas o letramento também.

 

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Adaptado do texto “Viajando nas palavras”