Você sabe o que é a disgrafia?

Letra feia? Pode ser sinal do transtorno, que afeta 2% da população

Por Caroline Svitras | Foto: Shutterstock

A disgrafia é um transtorno de aprendizagem presente em muitas crianças do Ensino Fundamental. Ele se caracteriza como uma dificuldade na escrita, tanto na hora de desenhar as letras e códigos do nosso idioma, quanto ao formar frases e construir linhas de raciocínio em textos. Conversamos com a pedagoga Luciana Brites, uma das fundadoras da Neuro Saber, para conhecer mais sobre o assunto. Confira a entrevista completa:

 

O que é disgrafia?

É um Transtorno de Aprendizagem de origem neurobiológica que afeta 2 a 3 % da população, ela pode vir sozinha ou acompanhada por outros transtornos de aprendizagem como dislexia, Transtorno não verbal bem como transtornos neuro-comportamentais como TDAH, Autismo entre outros
Quais as caraterísticas do transtorno?

É caracterizado por uma dificuldade crônica e persistente na habilidade motora e espacial da escrita, levando a uma expressão gráfica inadequada e deficitária.

Outra característica é dor ou incômodo frequente para escrever, pressão excessiva no lápis e no papel, troca constante de letra ora cursiva, ora bastão.

 

Hiperativa ou mal-educada?

Como saber se a letra feia é disgrafia?

A letra feia vai melhorando com a idade e com as intervenções – ou quando se pede para escrever com calma – a ponto de um dia a escrita se tornar caligráfica, ou seja, perfeita.

Já a disgrafia expressa uma grafia sempre ruim e alterada e que gera um constante desprazer e incômodo em quem escreve – mesmo atingindo a idade prevista para escrever adequadamente – além das características acima.
Cite pelo menos 5 dicas do que pode ser feito para desenvolver a habilidade do aluno melhorando o desenvolvimento escolar.

  • Primeiramente é importante um bom trabalho de esquema corporal, perceber as partes do corpo, braços para chegar até as mãos;
  • Atividades de fortalecimento das mãos e dos dedos, nesse caso a massinha é bem interessante pois podemos trabalhar com a mão inteira, amassar com alguns dedos, fazer objetos e formas com a massinha entre outros;
  • Pintura com tintas e outros materiais, nesta atividade podemos utilizar giz de cera, pintura com guache utilizando os dedos, pincel esponja e o bom é que essas atividades podem ser feitas no papel na horizontal (em cima da mesa ou no cão) como na vertical colando o papel na parede e pedindo para as crianças desenharem ou pintarem;
  • Fazer uso de brinquedos de montar, como, por exemplo, Lego, quebra-cabeças, encaixes etc..
  • Atividades de percepção visual: muitas pessoas não sabem, mas o que guia a mão é o olho, por isso invista em atividades como o jogo dos 7 erros, ligue os pontos, brincadeiras com bolhas de sabão, bolas onde a criança tem que acompanhar o movimento das coisas e pegar com a mão.
Depressão infantil em sala de aula

 

Como melhorar a autoestima desse aluno com disgrafia?

Sempre é bom lembrar, que para este aluno, qualidade é melhor que quantidade. É melhor que ele escreva pouco, do que muito e mal feito, e com aquele sentimento de fracasso. Outra coisa interessante é utilizar a escrita dentro de algum significado, escrever sobre algo que ele goste e que faça sentido para ele.
Quais profissionais os pais devem procurar?

Médico Neuropediatra, psiquiatra Infantil psicomotricista, Terapeuta ocupacional, Psicopedagogos, Fonoaudiólogos, Psicólogos, vai depender se existem outras queixas ou comorbidades associadas.

 

Como é o tratamento?

Multidisciplinar, como este é um transtorno que pode vir acompanhado de outras comorbidades, mas Intervenção psicomotoras, orientações a família e a escola, apoio psicológico em alguns casos.
A medicação é necessária em alguns casos?

Sim. quando existem comorbidades por exemplo com o TDAH Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade.
Como pais e professores podem ajudar no tratamento?

Primeiramente, buscar conhecer cada vez mais o Transtorno. Nunca compare seu filho ou aluno com ninguém só o compare com ele mesmo (quando ele não conseguia e conseguiu algo), reconheça todo e qualquer esforço, proponha atividades com mínimas possibilidades de errar, converse sempre com ele sobre isso.

 

*Luciana Brites

Uma das fundadoras da Neuro Saber, Luciana Brites é Pedagoga especializada em Educação Especial na área de Deficiência Mental e Psicopedagogia Clínica e Institucional pela Unifil Londrina. Também é especialista em Psicomotricidade pelo Instituto Superior de Educação Ispe – Gae São Paulo, além de coordenadora do Núcleo Abenepi em Londrina.

Sobre a Neuro Saber (www.neurosaber.com.br)

O projeto nasceu da necessidade de auxiliar familiares, professores, psicólogos, fonoaudiólogos, psicopedagogos, terapeutas ocupacionais, médicos e demais interessados na compreensão sobre transtornos de aprendizagem e comportamento. A iniciativa tem como objetivo compartilhar informações valiosas para impactar as áreas da saúde e educação, além de unir especialistas do Brasil e do exterior.