Inclua crianças deficientes nas aulas de Educação Física

Ajude os alunos especiais a se entrosar com os coleguinhas e trabalhe a conscientização das crianças para que se tornem cidadãos completos

Por Caroline Svitras | Fotos: 123REF

Um estudo publicado pelo IBGE em 2015 revela que pelo menos 6,2% da população de nosso país apresenta algum tipo de deficiência. Segundo a Agência Brasil, “os percentuais mais elevados de deficiência intelectual, física e auditiva foram encontrados em pessoas sem instrução e em pessoas com o ensino fundamental incompleto.”

Diante desse quadro, vemos a importância da escola estar preparada para receber alunos com algumas limitações, sejam elas físicas ou intelectuais. Conversamos com Marcos Vinicius Lima de Oliveira, preparador físico do BIOMais, que nos deu algumas dicas de atividades inclusivas que podem ser desenvolvidas nas aulas de Educação Física.

Ele separou, por categorias de deficiência, algumas brincadeiras e jogos que ajudam os alunos especiais a se entrosar com os coleguinhas, além de trabalhar a conscientização das crianças para que se tornem cidadãos completos. Antes de começarmos, vale ressaltar a dica que ele dá: “Ao avaliar a turma deve-se apenas verificar se existe alguma restrição médica para o aluno, não havendo, as aulas podem acontecer sem problemas.”

Deficiência Física

Sentindo na pele

Número de participantes: livre

Materiais: Dois pares de meias grossas e uma camisa com botões (é importante que os alunos tragam de casa a camisa e as meias).

Descrição da atividade: A turma deverá ser dividida em pares. Um de cada par vestirá as meias nas mãos. Após o comando do professor, o aluno deverá vestir a camisa, abotoá-la, desabotoá-la e sentar em frente ao seu par. Peça a eles para trocarem o material e repetir a experiência. É importante que o professor explique aos alunos que eles irão vivenciar como é ter paralisia cerebral, na tentativa de abotoar uma camisa. (Ministério da Educação e do Desporto/ MEC, 2007).

 

Passa 10

Número de participantes: livre

Materiais: coletes coloridos, 1 bola.

Descrição do Jogo: Todos os alunos deverão estar sentados na quadra, independente de ter ou não comprometimento motor. A turma deverá se dividir em dois grupos, onde cada grupo deverá usar coletes de cores diferentes para se distinguir melhor. A delimitação do espaço será de acordo com o número de participantes. O grupo que tiver com a posse de bola deverá tentar realizar 10 passes jogando com as mãos, conseguindo, marcará ponto. Caso a bola caia no chão, ou seja, interceptada pelo grupo adversário, a contagem será zerada. Vence o grupo que fizer mais pontos. O tempo do jogo será determinado pelo professor.

Adaptação: Se houver um cadeirante, o grupo adversário deverá ter um participante de sua equipe sentado em uma cadeira. Caso tenha mais de um cadeirante, o número de participantes em cadeiras deverá ser aumentado. No decorrer do jogo, todos os alunos deverão ficar pelo menos uma vez sentados na cadeira.

Variação: O professor poderá aumentar ou diminuir o espaço do jogo e o número de passes para realizar um ponto. (DIEHL, 2006)

 

 

Passa Repassa

Número de participantes: livre

Material: 1 bola de vôlei.

Descrição do Jogo: Os alunos estarão dispersos sentados pela quadra de voleibol, similar, dois deles sentados nas pontas. Os alunos das pontas iniciarão a troca de passes de bola, enquanto os alunos do centro da quadra tentarão pegá-la sem tirar o quadril do chão. O aluno que conseguir pegar a bola troca de lugar com aquele que a jogou. (DIEHL, 2006)

 

Cegos ou com baixa visão

Posso ajudar?

Material: Vendas pretas para todo o grupo

Descrição do jogo: A turma deverá ser dividida em pares. Cada par receberá uma venda, um da dupla usará a venda simulando o deficiente visual e o outro será o acompanhante. É importante que o professor explique que o papel do acompanhante é estar ao lado do deficiente visual para oferecer sua ajuda e dá-Ia quando for aceita. Explique que é importante perguntar se ele precisa de ajuda e de que forma essa ajuda pode ser dada. Os pares serão orientados para realizarem diversas atividades, tais como: beber água, andar pela quadra, pelo pátio, explorar a classe, andar entre as carteiras, etc.

Variação: Uma vez realizado todo o percurso, a dupla deverá trocar as funções, o aluno que estava simulando o deficiente visual deverá passar a ser o acompanhante e assim vice-versa. (Ministério da Educação e do Desporto/ MEC, 2007).

 

Adivinhe pelo tato

Número de participantes: Livre

Materiais: vendas, objetos como: lápis, frutas, livro, brinquedos, etc.
Descrição do jogo: Os alunos deverão ser divididos em dois ou três grupos. Cada participante terá a oportunidade de sentir, com os olhos vendados, os objetos que serão dados pelo professor. O grupo que mais objetos acertar será o grupo vencedor. (DIEHL, 2006).

 

Surdos

Cinema mudo

Número de participantes: livre

Material: filmes

Descrição do jogo: O professor pode propor aos alunos a assistirem trechos de filmes sem som, tentando entender a história e o que as pessoas estão falando. (Ministério da Educação e do Desporto/ MEC, 2007).

 

O corpo fala

Número de participantes: livre

Material: papéis

Descrição do jogo: Dividir a sala em grupos, cada grupo receberá um papel com uma mensagem escrita. Cada grupo deverá transmitir sua mensagem exclusivamente por gestos para outros grupos. (Ministério da Educação e do Desporto/ MEC, 2007).

Para mais atividades seque a referência de um ótimo artigo:
Atividades inclusivas na Educação Física escolar (http://www.efdeportes.com/efd119/atividades-inclusivas-na-educacao-fisica-escolar.htm)

Fonte: o Caso de Educação Física Inclusiva – Brasil 20

 

Sobre Marcos Vinicius Lima de Oliveira

É bacharel em Educação Física – UERJ. Mestrando em ciências do exercício e do esporte – UERJ. Experiência em reabilitação músculo esquelética, corrida e avaliação física; Professor de musculação da academia performance. Atual membro do laboratório de atividade física e promoção da Saúde (LABSAU) – UERJ.