O que as crianças fazem durante o intervalo?

Você tem curiosidade sobre o que as crianças fazem durante o intervalo? Na maioria das escolas, elas tomam o lanche rapidamente e depois iniciam uma grande bagunça, em meio a chutes em bola, muita correria e gritaria desenfreada!

O que as crianças fazem durante o intervalo?

Poucos sabem, mas de acordo com a Lei 5.692/71 do Conselho Federal de Educação, o tão esperado intervalo, também chamado de recreio, é considerado efetivo trabalho escolar. Dessa forma, ele também faz parte da atividade educativa, essencial para o aprendizado. No entanto, o mais comum, principalmente em escolas públicas, são crianças livres e sem controle, que promovem uma grande algazarra, diante de inspetores que já se acostumaram a gritar na tentativa de controlar a situação caótica.

Até quando toca o sinal que indica que todas devem voltar à sala de aula, a indisciplina é incontrolável. Se há filas para o retorno, a agitação é tanta, que as crianças se misturam e nem percebem. Algumas correm até o banheiro ou vão beber água, ou porque se esqueceram das próprias necessidades ou porque tentam ganhar mais tempo de descontração. Em consequência, o professor perde minutos preciosos, pois ao adentrarem à sala de aula, os alunos continuam incitados e é preciso chamar a atenção deles, para estabelecer a normalidade necessária ao processo de ensino-aprendizagem. E o que é pior: essa condição desgastante se repete todos os dias ao longo do ano letivo! Porém, seria fácil modificá-la se houvesse um misto de atividades livres e dirigidas, durante o período do intervalo, pois ambas têm um enorme potencial educativo. Portanto, elas deveriam ser consideradas pela escola durante a elaboração da proposta pedagógica.

Recreio interativo e monitorado

Os benefícios do intervalo interativo e monitorado são muitos, pois, além de conter as crianças, ele ainda desperta várias habilidades latentes em cada uma delas. No Colégio Franciscano Pio XII, instituição de ensino localizada no Morumbi, em São Paulo, por exemplo, a Orientação Educacional do Ensino Fundamental I desenvolveu, em agosto de 2015, uma proposta para direcionar os alunos para o “brincar” de forma variada, apresentando a eles um leque de escolhas para o horário do recreio.

A bola não foi eliminada desse processo, mas tabuleiros de jogos e outras brincadeiras direcionadas foram incluídos no intervalo. Até então, quando os alunos saíam para o recreio, eles só brincavam com bola, pois não tinham um repertório de atividades voltadas à interação. Por isso, a partir de algumas estratégias e manejos sociais, foi sugerido, inicialmente, aos alunos do 2º ano, um intervalo com diversas opções, na tentativa de, quando já estiverem no 3º ano, possam fazer suas próprias escolhas de forma autônoma no momento do brincar.

Toda a ação foi planejada e teve uma organização diária, para fazer o aluno se divertir e ainda explorar os demais espaços do colégio, além da quadra de esportes. Em decorrência desse cuidado, a eles foram apresentados alguns jogos de tabuleiro, o dominó e uma série de brincadeiras tradicionais, como amarelinha, peteca e bambolê. No fim do ano, cada criança já sabia qual era a proposta para o dia e seu repertório de brincadeiras havia aumentado muito, em relação aos ambientes disponíveis para as atividades. De um modo geral, graças a essa iniciativa simples, os alunos passaram a ter mais atitude; aprenderam a convivência em grupo, o respeito pelo colega, a importância do coletivo, da partilha e da espera; conquistam novas amizades pela aproximação de interesses e afinidades; e aumentam o sentimento de pertença, por meio da descoberta de novas aptidões e gostos. Ao mesmo tempo, os espaços usados por eles também começaram a ser mais cuidados.

Para implantar a proposta

Qualquer escola que quiser estabelecer a interatividade no recreio, primeiro deverá envolver toda equipe doente, os auxiliares e também os pais que, por sua vez, poderão apresentar outras possibilidades, principalmente de brincadeiras tradicionais. As crianças também poderão colaborar com sugestões e, assim, elas se sentirão mais felizes, porque tudo que é escutado atentamente, também possibilitará a elas o sentimento de pertencimento. Além de tudo isso, ainda vale notar que, dessa forma, é possível contemplar o desejo dos alunos e das famílias, alinhar à concepção da infância ao do brincar e ainda transformar o intervalo em um momento organizado, produtivo e bem mais divertido.

Já em relação aos jogos de tabuleiros, dependendo do material com que são feitos, eles são bem baratos. Contudo, alguns ainda podem ser elaborados pelos próprios alunos nas aulas de Arte. 😉

Revista Guia Prático do Professor Ensino Fundamental I