Conheça as lendas urbanas para trabalhar o medo infantil

Elas apavoram muita gente

Apesar de serem histórias que apenas buscam elucidar o que até então não tem uma explicação científica, elas ainda apavoram muita gente. Aprenda como trabalhar o medo infantil!

Conheça as lendas urbanas para trabalhar o medo infantil
Foto: cambridge-news.co.uk

Em geral, as lendas urbanas têm um fundo moral, cuja finalidade é orientar o comportamento das pessoas. Entre elas, as histórias mais contemporâneas surgem para explicar situações misteriosas e acabam, na maioria das vezes, gerando medos, com o intuito tanto de promover a compreensão sobre determinado fenômeno quanto controlar a reação das pessoas. Além disso, muitas também são baseadas em fatos reais fantasiados, caso do Homem do Saco, da Gangue do Palhaço e do Arranca-Línguas.

De qualquer forma, todas essas lendas são utilizadas para assustar as crianças, com a intenção de impedir que assumam comportamentos não aceitos socialmente. Um bom exemplo dessa situação refere-se à lenda da Loira do Banheiro que, antigamente, colocava medo nos alunos que queriam cabular aula. No entanto, como hoje temos mais acesso ao conhecimento científico, em vez de utilizar o medo para obter uma conduta adequada, o ideal é explicar quase tudo a partir de consequências reais.

Mas, se, por um lado, as crianças pequenas não estão aptas para compreender a explicação científica ou ficam com mais medo diante da crueza que, muitas vezes, a realidade representa, por outro, as lendas urbanas tomam uma proporção muito maior ao serem espalhadas pelas mais diferentes mídias, embora também tenham um tempo de vida mais curto, devido aos esclarecimentos que vão aparecendo nas redes sociais.

Consequentemente, a faixa etária com a qual os alunos entram em contato com uma lenda urbana também está diretamente ligada à idade em que seus pais permitem o acesso à televisão, celular ou outros canais que os ligam com o mundo externo. Em decorrência de tal fato, muitas histórias são levadas pelos próprios alunos à escola.

Lendas que viralizam

Conheça as lendas urbanas para trabalhar o medo infantil
Foto: wallpapersafari.com

Em sala de aula, caso identifique o aparecimento de uma lenda que traz sofrimento e preocupação, inclusive para as famílias, é importante ouvir as crianças, os pré-adolescentes e até os pais para entender o que ela traz de tão simbólico, pois somente conhecendo melhor a história, torna-se possível lidar com os medos e as preocupações que ela suscita. A partir daí, independente da idade dos alunos, é possível lidar com os conhecimentos pertinentes às lendas de variadas formas.

Diante de crianças menores, por exemplo, é essencial escutar suas lendas e, então, criar novas histórias e ilustrações, para que aprendam a lidar com os próprios temores e, ao mesmo tempo, possam articular a imagem externa ao seu imaginário. Já com as maiores, dá para pedir que façam um levantamento das lendas urbanas mais conhecidas, junto às suas próprias famílias, com o objetivo de trazer por escrito o que encontrarem sobre elas. Depois, durante a aula, promova leituras comparativas, na intenção de estabelecer relações entre lendas antigas e folclóricas para, em seguida, usar o conhecimento científico para esclarecer algumas dúvidas.

Por último, é fundamental notar que as lendas urbanas são produções humanas e, como toda produção desse tipo, elas têm em si um valor a ser explorado, inclusive, pedagogicamente. Além disso, também é interessante mostrar às crianças que aprender a pensar implica em relacionar os conhecimentos da sabedoria popular, da ciência e das experiências pessoais para, então, articulá-los e utilizá-los em novas situações teóricas ou práticas intrínsecas à vida cotidiana.

Você sabia? A loira do banheiro realmente existiu!

Conheça as lendas urbanas para trabalhar o medo infantil
Foto: historiavaledoparaiba.com.br

Exemplo de um fato real fantasiado, a lenda conhecida e temida por muitas crianças em idade escolar surgiu no fim do século 19. Segundo a história, em 1879, o Visconde de Guaratinguetá obrigou a filha Maria Augusta de Oliveira Borges (na imagem), de apenas 14 anos, a se casar com um homem bem mais velho. Após o matrimônio, completamente infeliz, Maria Augusta armou um plano, fugiu do esposo e embarcou sozinha para Paris, onde morreu de causas desconhecidas aos 26 anos. Após o óbito, os restos mortais da jovem foram encaminhados de volta ao Brasil. Porém, o caixão em que ela se encontrava foi saqueado por ladrões, que roubaram as joias que a adornavam. Aqui chegando, seu corpo foi novamente preparado, ornamentado e colocado em uma urna de vidro, enquanto seu jazigo era preparado no cemitério da cidade de Passos, Minas Gerais.

A partir daí, reza a lenda que a moça deixou sua urna e começou a vagar por todos os cômodos da casa de seu pai para relembrar a infância, ao mesmo tempo em que provocava barulhos sinistros que eram principalmente ouvidos nos diversos banheiros da residência, onde se escondia quando criança. Já em 1902, a residência do Visconde de Guaratinguetá tornou-se a tradicional Escola Estadual Conselheiro Rodrigues Alves, porém, 14 anos depois, a mesma idade com que Maria Augusta deixou a casa, um incêndio misterioso acometeu o local, comprometendo toda a sua estrutura. Desde então, a lenda da loira do banheiro vem sendo contada e reforçada de geração a geração.

Texto Laura Monte Serrat | Adaptação Web Evelyn Cristine

Revista Guia do Professor – Ensino Fundamental I – Ed. 152