Vamos para a cozinha?

Ensine uma série de conhecimentos interdisciplinares, que serão assimilados de uma forma muito mais divertida!

Da Redação | Foto Itaci Batista | Adaptação web Isis Fonseca

Cozinha pedagógica

Quando falamos em cozinha pedagógica, surgem várias dúvidas, por isso, resolvemos esclarecê-las de um modo prático, a partir de uma receita simples. De início, é interessante notar que o ato de cozinhar, além de permitir a interação – inclusive familiar – é imprescindível para a independência das crianças, que devem ser estimuladas nessa direção para se tornarem adultos capazes de enfrentar os mais variados obstáculos que, por sua vez, são inevitáveis na vida.

Depois, ainda há um problema que é sempre alegado: a falta de estrutura das próprias escolas para comportar aulas de culinária. No entanto, na maioria das vezes, basta apresentar uma boa receita em sala de aula e, se possível, integrar os pais nesse processo, que a cozinha se torna dispensável. Embora fazer a criançada colocar a mão na massa seja o ideal, nada impede de se trabalhar uma receita até certo ponto e, então, fazer ou pedir para uma mãe trazer o prato já pronto para sala de aula, com o objetivo de comemorar a aquisição do saber, degustando algo conhecido em seus pormenores.

Dessa forma, além de ressaltar a importância de uma nutrição saudável, é possível introduzir um trabalho interdisciplinar inovador, que desperta o interesse infantil para a aquisição de conhecimentos significativos, incluindo aqueles que extrapolam a esfera curricular e são exigidos dia a dia.

O trabalho com a cozinha pedagógica

Com a ajuda da gastrônoma Dulce Cristina, as crianças elaboraram uma receita simples: muffins de cenoura. Apesar do nome sofisticado, eles são apenas bolinhos, feitos com ingredientes que todo mundo tem em casa. Mas, o aprendizado em si começa bem antes da preparação da guloseima. Logo, se o objetivo é ampliar o conhecimento interdisciplinar, uma introdução teórica a partir da própria receita torna-se fundamental. Observe:

Muffins de cenoura

  • 3 xícaras (chá) de farinha de trigo
  • 3 cenouras médias
  • 3 ovos
  • 1 xícara (chá) de óleo
  • 3 xícaras (chá) de açúcar
  • 1 colher (de sopa) de fermento

Rendimento: 20 bolinhos

Português

No momento de apresentar a receita, chame a atenção para o gênero textual diferenciado. Normalmente, como ele amplia a capacidade da escrita não verbal, pois os ingredientes são especificados um em cada linha, com a quantidade necessária, que ainda vem na forma abreviada ou não, seguida por parênteses que evidenciam o objeto usado na medida (xícara de chá, colher de sopa etc.). Os alunos se tornam capazes de decodificar a receita e atuar em situações de escolha (uma xícara de chá é maior que uma de café, por exemplo).

Matemática

Cada ingrediente tem uma medida exata que, por sua vez, é proporcional às demais. A partir dessa conceituação, os alunos começam a prestar a atenção na correlação matemática existente na receita e deduzem que, se quiserem apenas 10 bolinhos, por exemplo, terão que reduzir os ingredientes pela metade, o que implica em divisão numérica. Porém, se preferirem 40 bolinhos, terão que multiplicar por dois a quantidade de todos os ingredientes.

Educação Financeira

Com a receita nas mãos, eles ainda devem fazer um levantamento de custo dos ingredientes – in loco ou em panfletos de supermercados. Como descobrirão que os preços variam, também se conscientizarão da necessidade de pesquisas de valores e da importância do consumo consciente, porque não dá para adquirir por impulso nem desperdiçar para, logo após, se arrepender ao se deparar com um preço mais baixo ou ver produtos estragando, devido ao prazo de validade – que é outra coisa que eles deverão começar a observar antes de qualquer compra – ou por deterioração.

Adaptado de Revista Guia Prático do Professor – Ensino Fundamental Ed. 97